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Críticas

Crítica | O Destino de Uma Nação

por Pedro C. Pardim comentários

Indicações ao Oscar 2018
Melhor Filme
Melhor Ator – Gary Oldman
Melhor Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Maquiagem e Cabelo
Melhor Design de Produção

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Até mesmo a introdução do Winston Churchill de Gary Oldman em “O Destino de uma Nação” é impressionante. Após uma breve apresentação do contexto inglês, com um parlamento inflamado, a renúncia do até então primeiro-ministro e a indicação questionável, mas iminente de Churchill como o próximo, a jovem escrivã Elizabeth (Lily James) entra em um quarto completamente escuro, até o momento em que o protagonista acende seu charuto. A iluminação avermelhada revela feições conhecidas (“Todo bebê se parece comigo” – brinca Churchill em determinado momento do filme) de uma figura marcada pela imponência, porém o abrir da janela apresenta um homem muito mais vulnerável, tomando seu café-da-manhã em um pijama rosado.

“O Destino de uma nação” é um filme dirigido por Joe Wright que narra os intensos primeiros dias de Churchill como Primeiro-Ministro da Inglaterra. Com a Alemanha Nazista tomando grande parte da Europa e mais de 300 mil soldados britânicos isolados nas praias de Dunquerque, trata-se de um momento repleto de tensão e fundamental na história da humanidade.

Não é à toa que Gary Oldman está ganhando todos os prêmios dessa temporada. Auxiliado por um trabalho impecável de maquiagem, o britânico personifica em todos os sentidos a figura de Churchill e esta é, no mínimo, hipnotizante. Intenso, explosivo, desagradável, muitas vezes inseguro. As inúmeras nuances presentes no personagem cooptam a nossa atenção ininterruptamente, o que faz do longa muito mais um olhar sob um homem em posição de poder e pressão incalculáveis do que um relato de um momento histórico.

Nesta questão, a direção de Joe Wright é extremamente eficaz. Neste que talvez seja seu trabalho mais maduro, o diretor limita, encurrala Churchill, as vezes apenas com o enquadramento, outras na relação entre a posição da câmera e a disposição dos personagens. Esteticamente, inclusive, o filme é muito atraente: Wright encontra agilidade e engenhosidade no clássico, tornando seu longa muito mais dinâmico do que biografias de épocas tendem a ser.

Gary Oldman confirmou em entrevistas que antes das gravações iniciarem o elenco teve quatro semanas de ensaio, o que fica evidente diante da naturalidade e da especificidade de cada relação de Churchill com personagens distintos. Postura, proximidade, tom de voz. Tudo é tão distinto e especifico que somente tanto tempo de preparação seria capaz de alcançar.

Ao retratar tomadas de decisão tão difíceis e a relevância da voz da população em tal momento – por mais que se utilize de licença poética/histórica para isso – “O Destino de uma Nação” parece desprezar covardia política, afinal de contas “Não se pode negociar com um Tigre quando nossa cabeça está na sua boca”.

Studio na Colab55
Pedro C. Pardim
Pedro C. Pardim

Graças aos meus pais estou em contato com a cultura e artes em geral desde muito cedo, mas a minha paixão é pelo cinema. Sempre foi. Não só paixão, escolhi (e espero) ter o cinema como minha profissão.

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