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Crítica | Eu, Tonya

por Gisele Santos comentários

Indicações ao Oscar 2018
Melhor Atriz – Margot Robbie
Melhor Atriz Coadjuvante – Alisson Janney
Melhor Montagem

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Não acredite em tudo que você assistir em “Eu, Tonya”, cinebiografia da patinadora americana Tonya Harding que chega aos cinemas brasileiros com três indicações ao Oscar no currículo (Melhor Montagem, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Atriz). Quase tudo que é contado no longa é inspirado no fato real que movimentou o esporte americano em meados dos anos 90, mais precisamente a patinação artística.

Na época Tonya e a rival Nancy Kerrigan dividiam as atenções e os pódios nos campeonatos nacionais e também nas Olímpiadas de Inverno. A primeira, um ano mais velha, era ousada e absurdamente competitiva (foi a primeira americana a realizar o triplo axel em competições, um dos movimentos mais perigosos da patinação). Por não se encaixar muito no perfil “patinadora perfeita”, Tonya acusava juízes e árbitros de conspirarem contra ela, dentro e fora das competições.

Em busca do pódio e da vitória, Tonya e o marido foram acusados de planejar um ataque a Nancy durante um treinamento onde a patinadora teve o joelho quebrado por um homem desconhecido. Seria o fim da carreira de Nancy, uma atleta em ascensão?

E essa história verídica que o Craig Gillespie de uma forma leve e bem humorada, ancorado por uma edição certeira que sabe escolher bem a forma como trazer para o público a vida trágica de Tonya. Desde muito jovem Tonya (Margot Robbie) sofria de maus tratos. Primeiro da mãe (Allison Janney) e depois do marido (Sebastian Stan). Era apenas com violência que Tonya sabia se defender, dentro e fora do ringue de gelo.

O roteiro explora muito bem a personalidade explosiva da protagonista, que ganha muita verdade na interpretação de Margot Robbie sabiamente indicada ao Oscar. A atriz dá o tom perfeito entre a juventude cheia de esperanças em um casamento que a salvaria a tirania da mãe, juntamente com a busca incansável pela perfeição em uma vida nada perfeita.

E falando em perfeição quem já deve preparar um espaço na prateleira para o Oscar é Allison Janney. Se Margot Robbie está bem como Tonya, Allison está SENSACIONAL como a mãe agressiva e dominadora da protagonista. A primeira metade do filme ela brilha, seja em forma de flashbacks ou no momento presente. Ela não dá nenhum desconto para a filha e acaba transformando a protagonista em uma grande máquina de raiva, angústias e sofrimento. Uma interpretação que carrega o filme durante muito tempo.

Não chega a ser um grande filme, as “Eu, Tonya” conta com ótimas interpretações, uma edição refinada, rápida e certeira e uma história que ainda vive no imaginário norte americano. Assista, divirta-se e escolha de qual lado do ringue de gelo você está: de Nancy ou de Tonya. Eu escolhi não escolher!

Studio na Colab55
Gisele Santos
Gisele Santos

Jornalista, membro da ACCIRS, apaixonada por cinema desde sempre. Cidadão Kane e O Poderoso Chefão são minhas bíblias sagradas, mas Harry Potter e Star Wars têm seu espaço na minha prateleira.

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