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Crítica | Sobrenatural – A Última Chave

por Graciliano Marques comentários

Há algumas décadas, alguém em Hollywood teve uma brilhante ideia: “ – Quem sabe a gente conta essa história em mais de um filme? ”. Com isso ganhamos diversas obras-primas cinematográficas como as trilogias O Poderoso Chefão, Senhor dos Anéis e De Volta para o Futuro, entre tantas outras. Porém isso acabou abrindo um precedente para o que chamamos de continuações intermináveis de algo que poderia ter ficado somente no primeiro filme. Esse é o caso de Sobrenatural – A Última Chave.

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Mais uma vez vemos lá com a senhorinha parapsicóloga Dra. Elise, interpretada por Lin Shaye (que, apesar de trabalhar em filmes desde 1975, você só lembra nesse papel) que enxerga espíritos em mais uma empreitada contra as assombrações do mal. Só que dessa vez ela é a personagem principal da história, que se passa na casa em que nasceu, viu seu dom de enxergar os mortos despertar e viveu até a sua adolescência, quando fugiu da tirania de seu pai que a castigava por seu dom, deixando-o com seu irmão mais novo. Com ela estão seus dois ajudantes atrapalhados Specs e Tucker que, supostamente, deveriam ser o alívio cômico entre um susto e outro. Após uma noite de pesadelos sobre a sua infância, Elise recebe um telefonema do atual morador da casa pedindo ajuda com uma suposta assombração.

Considero o primeiro Sobrenatural excelente. A história é curiosa, intrigante e os sustos e caracterizações das assombrações realmente dão medo dentro da atmosfera que o filme cria. Tanto que, após seu sucesso, outros filmes como A Entidade e Vocação do Mal foram criados e ganharam reconhecimento por trabalharem na mesma linha de assombrações. Porém suas continuações não são tão bem executadas quanto seus originais, o que também é o caso de Sobrenatural – A Última Chave. Primeiro que eles esqueceram que um bom filme de terror precisa ter bons sustos, que em apenas dois momentos do filme realmente fizeram o cinema inteiro pular na cadeira. Para um filme de 1h43min, isso indica que os roteiristas, em sua maioria presentes nos outros três filmes, talvez tenham perdido a habilidade de criar situações amedrontadoras. Além disso, os ajudantes patetas de Elise falham miseravelmente em serem os alívios cômicos. A atuação deles chega ao nível de vergonha alheia, sendo total desnecessária para o enredo, ao ponto tentar fazer uma piada em cima da piada que não funcionou, e continuar não tendo graça nenhuma, ainda mais porque na tradução se perde o sentido de tudo.

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A história seria simples: quando criança, Elise abriu uma “porta espiritual” sem querer e acabou liberando um espírito maligno, superior a todos os outros espíritos. Depois de anos assombrando a mesma casa, Elise acaba indo para lá resolver essa pendência e acabar com a alegria do fantasminha nem um pouco camarada. Porém as mini histórias paralelas, como o reencontro com seu irmão e a descoberta de duas sobrinhas, cuja relação não é aprofundada em nenhum momento, fazem com que a história tenha uma linha de raciocínio rasa, apesar de amarrada. O único destaque talvez seja para uma reviravolta inesperada no meio do filme, que não tem nada a ver com o plot original, mas explica o comportamento de alguns personagens e tenta demonstrar o poder do demônio.

Apesar de parecer que A Última Chave se trata de uma história à parte, ele nos dá uma pista sobre sua cronologia entre os demais filmes. Elise, ao procurar uma saída do além para o mundo real, abre uma dessas “portas espirituais” e dá de cara com o personagem de um dos outros filmes, o que também explica como o demônio daquele filme chegou até lá.

Sobrenatural – A Última chave contém sustos, suspense e tensão de tamanho médio em uma história que, no fim das contas funciona, mas não empolga nem cumpre o esperado de um filme de terror: te fazer ficar com medo de dormir com as luzes apagadas.

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Graciliano Marques

O que eu quero mais é ser Rei e ver o mundo voando num tapete mágico. Geração Disney de clássicos do Cinema. Publicitário de terno e crítico espectador. Faz sentido?

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