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Crítica | O Touro Ferdinando

por Graciliano Marques comentários

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Melhor Animação

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Quem já passou dos 30 anos com certeza assistiu ao curta “Ferdinando, o Touro” na época em que a programação diurna da TV aberta era praticamente voltada para as crianças. O que talvez muitos não saibam é que esse clássico de 1938, que ganhou o Oscar de curta de animação baseando-se em um livro infantil de um autor americano chamado Munro Leaf, chegou a ser proibido em diversos países cujo modelo de governo era o fascista. Isso simplesmente porque o personagem Ferdinando era um touro pacifista.

O Touro Ferdinando conta a história de Ferdinando, um touro que, desde pequeno, prefere basicamente cheiras flores e fazer o bem ao invés de participar de brincadeiras violentas com seus “amigos” em uma fazenda especializada na criação de touros para touradas. Quando seu pai é escolhido para ir à arena enfrentar um toureiro, Ferdinando passa a noite em claro esperando seu pai retornar. Ao ver o caminhão que levou seu pai retornar vazio na madrugada, Ferdinando resolve escapar da fazenda para que não tenha o mesmo destino. Ele então consegue escapar dos peões pulando para dentro de um trem em movimento e acaba viajando para longe. Em uma das paradas, Ferdinando pula do trem e perde-se na floresta, onde é resgatado por um fazendeiro e sua filha. Ferdinando então torna-se praticamente um membro da família, passando seus dias admirando o vale sentado debaixo de uma árvore enquanto cheira suas flores preferidas, isso quando não está ajudando nos afazeres da fazenda.

Com o passar dos anos, Ferdinando torna-se um touro muito forte e robusto, apesar dos seus amáveis olhos azuis. Ao fugir da fazenda para participar escondido de uma festa das flores no vilarejo local, acaba sendo picado por uma abelha e praticamente destrói a cidade, fazendo com que seja preso e levado, sem querer, de volta para a fazenda onde nasceu. Lá reencontra seus antigos amigos touros, além de uma cabra doida e três porcos-espinhos ladrões.

Dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (Era do Gelo e Rio), a história de Ferdinando é tem algumas diferenças em relação ao curta, incluindo algumas novas reflexões, como por exemplo sobre a morte. Os touros achavam que era uma honra ir para a arena das touradas, mas nunca se deram conta que de lá eles nunca voltariam com vida. Além disso, Ferdinando é o personagem que não se contenta com o que as pessoas dizem que ele deve ser, um touro cruel e inescrupuloso, matador de toureiros. Ele não acha que a sua natureza animal deva definir o seu caráter. Mesmo quando acuado, ele mantém a sua virtude pacifista acima de tudo. Um touro com mais princípios do que muitas pessoas por aí.

Transformar um curta metragem em um longa muitas vezes não funciona, porém Saldanha foi muito assertivo ao incluir mais personagens para dar mais peso e conteúdo à história. Entre os personagens incluídos no longa encontra-se uma cabra doida chamada Lupe, fantasticamente dublada no original em inglês pela comediante Kate McKinnon (Caça-Fantasmas de 2016 e atual elenco de Saturday Night Live). Lupe tem o sonho de ser uma treinadora de touros e vê em Ferdinando a oportunidade de realizá-lo, porém ela não tem a mínima ideia do que está fazendo. Suas piadas são no ponto e a interpretação da voz ao que imaginaríamos ser uma cabra falando estão perfeitas, mesmo para quem não entende o idioma. Gargalhadas garantidas.

Fazem parte do elenco original de vozes também os atores John Cena (ex-lutador de Wrestling, no mesmo estilo Dwayne Johnson) como Ferdinando e Miguel Ángel Silvestre (Sense 8) como o toureiro El Primero, entre outros. No Brasil entre os dubladores estão Otaviano Costa e Maisa Silva. Melhor nem comentar.

Dê uma chance ao touro pacifista e leve seus filhos para assistir O Touro Ferdinando no cinema.

Dica do Crítico: Se você quiser assistir ao curta que deu origem ao filme, segue o link abaixo. Mas cuidado, contém spoilers.

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O que eu quero mais é ser Rei e ver o mundo voando num tapete mágico. Geração Disney de clássicos do Cinema. Publicitário de terno e crítico espectador. Faz sentido?

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