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Crítica | Jumanji: Bem-vindo à selva

por Graciliano Marques comentários

Quando você lê a notícia de que um estúdio resolve fazer a sequência de um filme clássico de sucesso mais de 20 anos depois, e sem o seu personagem principal, a primeira coisa que vem à cabeça é “ih! vai dar m…”. Então os atores são escalados e você fica pensando “Robin Williams (explico quem é depois) deve ter se revirado no túmulo”. Eis então que o trailer oficial é lançado, você passa a entender um pouco da história e dos personagens e pensa “Meu Jumanji está morto!”. Porém o mais interessante de tudo é chegar a semana da estreia e você decidir dar uma chance para o filme por pura nostalgia e expectativa zero, uma vez que você assistiu o original em fita VHS na TV de tubo em casa e adorou, e acabar se surpreendendo.

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Vamos recapitular um pouco para quem nasceu somente nesse século e está pegando o bonde andando. Jumanji foi um filme de 1995 estrelado pelo brilhante ator de comédia Robin Williams (Uma babá quase Perfeita, Patch Adams e Sociedade dos Poetas Mortos) falecido em 2014. Ele conta a história de um grupo de crianças que encontra um jogo de tabuleiro chamado Jumanji e decidem jogá-lo. O que eles não sabiam é que esse jogo já havia sido começado anos antes e que o seu jogador inicial havia sido levado para dentro do tabuleiro. Ao iniciar a partida, eles libertam o jogador que estava preso, porém também libertam todos os demais personagens sobre a cidade em que atualmente vivem. Para fazer com que tudo volte ao normal, os personagens precisam terminar o jogo. Como passados 20 anos não podemos de forma alguma considerar como spoiler o que vou falar a seguir, é sabido que eles terminam o jogo, tudo volta ao normal e se livram do tabuleiro. Porém bem antes da Marvel tornar modinha as cenas extras com ganchos para futuros filmes, ao final de Jumanji temos uma cena que deixou a história aberta por mais de 20 anos: em uma praia onde algumas pessoas corriam, o vento desenterrava o tabuleiro, que acaba sendo encontrado por um jovem. E é exatamente nesse ponto que Jumanji: Bem-vindo à Selva começa.

Talvez a melhor “sacada” da sequência tenha sido atualizar o jogo em si. Há 20 anos, no original de 1995, os personagens já haviam tirado o tabuleiro de um sótão empoeirado, demonstrando que ele havia ficado abandonado por muito tempo, demonstrando que as pessoas não se interessavam por esse tipo de jogo. O jovem que encontrou o tabuleiro na praia entregou para um amigo que o colocou de lado e foi jogar videogame, uma novidade de entretenimento à época. Como presumimos que o jogo tenha algum tipo de magia negra embutida, pois sua criação nunca foi explicada (se liga no plot para o terceiro filme, Sony Pictures, mas não esquece dos royalties pela ideia, ok?), o tabuleiro entendeu a realidade e se adaptou, transformando-se em um cartucho (novinhos google it). Quando, no meio da noite, é acordado pelo rufar de tambores vindos do nada, o jovem encontra o cartucho no lugar do tabuleiro e resolve jogá-lo, sendo sugado para dentro do jogo de videogame.

Eis então que a história pula para o ano de 2017 e quatro típicos adolescentes americanos, com suas vidinhas egocêntricas e desinteressantes, acabam juntos na detenção. Enquanto estão de castigo, encontram o console e o cartucho e decidem se distraírem testando o jogo. Após escolherem seus personagens e darem o star, são sugados para dentro do console e vão parar na selva de Jumanji. Ao literalmente caírem no meio do mato, os jogadores assumem a identidade de seus avatares, bem como suas habilidades. É aí que entram as estrelas do filme: Dwayne Johnson (Baywatch e Um Espião e meio), Jack Black (Escola do Rock e O Amor é Cego), Kevin Hart (Policial em Apuros e Um Espião e Meio) e Karen Gillan (a Nebula de Guardiões da Galáxia) interpretando os quatro adolescentes problemáticos que estão tentando entender como o jogo funciona. Com o desenrolar do filme, encontram no caminho o jogador que havia iniciado o jogo anos antes, interpretado por Nick Jonas (A Cilada e O Trote).

Jumanji: Bem-vindo à selva só não é genial em virtude do peso clássico que seu antecessor carrega, bem como da atuação de Robin Williams no original. Apesar de ser notável a falta de alguém que entenda realmente de videogames para ajudar na construção das “fases” do jogo, o roteiro é bem conciso e entrega mais do que aparenta na divulgação do filme. Por incrível que pareça em uma comédia americana, são poucos os momentos em que você sente vergonha alheia pelos atores, sendo todos eles quando um personagem tenta dar uma lição de moral. Já as piadas são muito bem colocadas e no tempo certo praticamente durante o filme inteiro, sem exageros. Não tem nenhuma atuação exemplar, apenas personagens bem representados, onde Jack Black acaba se sobressaindo um pouco mais por interpretar um paleontologista gordinho de meia idade que, na vida real, é uma adolescente egoísta e preocupada apenas com a sua imagem nas redes sociais.

Fica a sugestão: assista ao Jumanji original em casa e depois corra para o cinema assistir sua continuação. É uma excelente opção para fugir do calor do verão aproveitando o ar condicionado do cinema e passar o tempo dando boas risadas, seja sozinho, com a família ou com os amigos. Diversão garantida.

Dica do crítico: se você curtiu esse tipo de história, Jumanji foi baseado em um livro ilustrado infantil do autor americano Chris Van Allsburg. Ele também escreveu Zathura, que foi transformado em filme em 2005 e conta com um jovem Josh Hutcherson (Saga Jogos Vorazes) como um dos personagens centrais. Zathura está disponível na Netflix. ;)

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Graciliano Marques

O que eu quero mais é ser Rei e ver o mundo voando num tapete mágico. Geração Disney de clássicos do Cinema. Publicitário de terno e crítico espectador. Faz sentido?

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