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Crítica | Viva – A Vida é uma Festa

por André Sobreiro comentários

Existe uma brincadeira que roda pela internet que fala sobre como seria se coisas e situações tivessem sentimentos. E a lista já pode aumentar com: E se os mortos tivessem sentimentos (Ok, em várias culturas eles tem, mas eu não ia desperdiçar o meme)?

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Viva – A Vida é Uma Festa é a nova animação da Pixar. Antenado sempre com o momento do mundo, o estúdio decidiu criar um filme protagonizado por um garoto latino. Mexicano, para ser mais preciso. E o Dia de Los Muertos, uma importante data para a cultura desse povo, é o destaque.

Miguel Rivera é de uma família de sapateiros que carrega um trauma: a música fez seu tataravô abandonar sua tataravó e se tornou assunto proibido na casa deles. Mas o sonho do garoto é ser como Ernesto de la Cruz, o maior cantor mexicano de todos os tempos.
Em um Dia de los Muertos o garoto decide que quer sim seguir sua vocação e, a contragosto da família, se inscrever em um festival. Mas para isso, o menino precisa de um violão, já que o seu foi quebrado pela sua avó e decide roubar o túmulo de de la Cruz, que guarda um instrumento. Nesse momento, contudo, um fenômeno acontece e o garoto fica entre os dois mundos: deixa de ser visto pelos vivos e passa a ser enxergado pelos mortos, mas sem morrer.

Se você é adulto como eu, talvez isso tenha passado batido em uma primeira olhada, mas a Pixar está falando sobre a morte para crianças. E não tem jeito melhor do que usando uma cultura que reverência seus mortos. Miguel então parte em uma jornada no mundo dos mortos ao lado de Hector, um morto que ele encontra ao acaso e que precisa se manter vivo na memória dos vivos ou vai desaparecer.

E aqui eu posso começar a listar os muitos elogios ao filme. Para começar, o carisma dos personagens. São todos muito divertidos, a começar pelo menino Miguel, que a gente se apaixona rapidamente e Dante, o cachorro de rua companheiro do garoto. Visualmente o filme é um outro espetáculo. Enquanto no mundo dos vivos as cores são realistas, no mundo dos mortos tudo é colorido, iluminado, quase uma Las Vegas de esqueletos.

Outro grande mérito é seu roteiro. Sem ser didático, ele ensina uma tradição mexicana para o mundo todo de maneira simples, fazendo com que rapidamente a gente se esqueça de como nossa cultura lida com a morte e embarcando naquele mundo de homenagens.
Por fim, como sempre em filmes da Pixar está ali o balanço de emoções. Tem ensinamentos, tem muitas piadas divertidas e, claro, aquele momento que, mesmo sem querer, você já se pega chorando.

Em tempos de segregação, ver um filme que prega a união, defende a diversidade cultural e abraça os latinos como esse é algo que deve ser celebrado por si só. Mas Viva – A Vida é uma Festa é mais. É entretenimento de primeira qualidade.

Studio na Colab55
André Sobreiro
André Sobreiro

Jornalista, daqueles que acredita no momento mágico em que as luzes do cinema se apagam e o filme vira a realidade

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