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Ricardo Darín: latino até o último suspiro

por Eric P. Sukys comentários

Três filmes essenciais: “Nove Rainhas” (2000), “O Segredo dos Seus Olhos” (2009) e “Relatos Selvagens” (2014).
Nascimento: 16 de janeiro de 1957, em Buenos Aires.
Signo: Capricórnio

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Em 2013, o programa de TV argentino Animales Sueltos recebeu Ricardo Darín para uma entrevista. Durante a conversa, o ator revelou que havia recusado um convite para trabalhar em Hollywood. O apresentador, Alejandro Fantino, ficou pasmo. Não conseguia entender como alguém poderia recusar uma oportunidade única como aquela.

Muito lúcido, Darín esclareceu. A grande indústria vive de estereótipos. Se você é latino, há poucas opções disponíveis. Queriam que ele interpretasse um narcotraficante mexicano em um filme do diretor Tony Scott. A agente que o abordou foi além. Arrogante, ela lhe disse que não aceitaria não como resposta.

Ricardo Darín rejeitou o papel veementemente. Por que todo ator latino sempre precisa ser traficante? Para um artista do porte do argentino, aquilo seria perda de tempo. Aliás, tempo era uma coisa que não tinha. Estava trabalhando em uma peça em Madri e, no fundo, tudo o que queria era se dedicar mais à mulher e aos filhos. Nenhuma quantia de dinheiro seria capaz de comprar isso.

Para ser capaz de escolher seus trabalhos a dedo, Ricardo percorreu um longo caminho. Nascido em Buenos Aires, seus pais também eram artistas. Estreou na sétima arte em “La Culpa” (1969), do diretor Kurt Land. Até alcançar reconhecimento internacional trabalhou durante muito tempo em séries de televisão.

Apenas na década de 90 ganhou maior visibilidade, em obras como “Perdido por perdido” (1993), de Alberto Lecchi, e “El faro” (1998), de Eduardo Mignogna. Destaco aqui também “O Mesmo Amor, a Mesma Chuva (1999) ” de Jorge Pellegrini. Porém, foi em “Nove Rainhas” (2000) que alçou voo, sob as lentes do cineasta Fabián Bielinsky. Na trama, encarna Marcos, um simpático trapaceiro que, ao lado do parceiro Juan (Gastón Pauls), tenta fazer um negócio milionário envolvendo uma série de selos falsificados.

Outro destaque na trajetória de Ricardo Darín é sua parceria com o genial diretor Juan José Campanella, cujo ápice é provavelmente o thriller “O Segredo dos Seus Olhos” (2009), em que encarna um oficial de justiça aposentado disposto a encarar os fantasmas do passado. O filme levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro merecidamente.

Mais recentemente, participou do relevante “Relatos Selvagens” (2014), dirigido por Damián Szifron, drama indicado à estatueta de Melhor Filme Estrangeiro. Acompanhamos seis histórias que exploram os limites do comportamento humano, com enfoque no estresse.

Apesar de ser um monstro, Ricardo Darín nunca perdeu a modéstia. Não deseja jatinho privado, muito menos caminhar sobre tapetes vermelhos. Em entrevistas, ele se considera um cara feliz. O mais feliz que uma sociedade como a em que vivemos hoje permite.

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Eric P. Sukys é jornalista e se entregou à sétima arte após crises existenciais. Atualmente, sua dieta básica consiste na Era de Ouro de Hollywood, Nouvelle Vague, filmes trash e cinema independente.

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