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Crítica | Com Amor, Van Gogh

por Gisele Santos comentários

Loving-VIncent

Uma obra de arte, literalmente!

Vicent Van Gogh tinha apenas 37 anos quando, com um tiro no abdômen, tirou a própria vida. Com episódios de problemas mentais e considerado por muitos na época como louco, Van Gogh começou a carreira de pintor tarde, com 27 anos de idade. Seus mais de 900 quadros foram pintados nesse curto espaço de tempo e hoje são avaliados em quantias que sequer conseguem ser contabilizadas.

São através dessas pinturas que os diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman recontam os últimos dias de vida do pintor holandês no filme “Com Amor, Van Gogh” que está em cartaz nos cinemas brasileiros.

A animação é pra lá de inovadora, afinal, é o primeiro filme produzido completamente com pinturas. Para você entender como aconteceu todo o processo: cada frame do filme era pintado por uma equipe de mais de 100 artistas com as técnicas usadas pelo próprio Van Gogh em suas obras. Para quem é um amante de arte e conhecedor de alguns quadros do holandês, é possível reconhecer alguns personagens pintados por ele que ganham vida agora na tela do cinema e também paisagens bem conhecidas da cidade onde o pintor morreu, na França.

Para se ter ideia de todo o trabalho que levou o filme ser levado aos cinemas: para cada segundo em tela foram necessários cerca de 12 pinturas para que a montagem pudesse ser realizada. A soma chegou a mais de 800 quadros pintados, além de mais de mil desenhos.

O roteiro é bem pobre, mas não compromete o resultado final já que a experiência aqui é mais sensorial e visual. Mas vamos dar uma ideia da sinopse: após um ano da morte de Van Gogh um jovem é incubido de entregar uma carta escrita pelo pintor e destinada ao seu irmão inseparável Theo. Quando vai a Paris e descobre que Théo também está morto o jovem decide investir mais a fundo a morte do pintor e visita uma pequena cidade francesa onde ele viveu seus últimos dias. Lá, ele conhece alguns personagens que estiveram com Vincent dias antes de sua morte e tenta avaliar o que teria levado o pintor ao suicídio.

Mesmo com uma história fraca e com personagens pouco explorados, o filme compensa e merece ser visto, ainda mais em tela grande. É de fato um trabalho impecável que faz jus a obra desse grande artista que, mesmo em poucos anos de vida produziu obras de arte admiradas até hoje. Um pintor que morreu sem ver o seu próprio sucesso, mas que deixou uma legião de seguidores que hoje o homenageiam também em outras artes, como o cinema.

Studio na Colab55
Gisele Santos
Gisele Santos

Jornalista, membro da ACCIRS, apaixonada por cinema desde sempre. Cidadão Kane e O Poderoso Chefão são minhas bíblias sagradas, mas Harry Potter e Star Wars têm seu espaço na minha prateleira.

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