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Crítica | Assassinato no Expresso do Oriente

por André Sobreiro comentários

Adaptações de livros são problemáticas. Ao mesmo tempo que se tornam, cada dia mais, uma fonte de ideias para Hollywood, nada supera a nossa imaginação e as chances de o resultado ser pior que os originais são grandes. E quando a gente fala em Agatha Christie, a coisa ganha alguns contornos piores.

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Obras de detetive costumam ter muitos personagens, uma ambientação que cria um clima de tensão. E transmitir isso para as telas pode não funcionar. E toda essa introdução é para te assustar apenas. Assassinato no Expresso do Oriente funciona sim.

A adaptação dirigida e estrelada por Kenneth Branagh traz muito do que a gente espera do livro que a inspira. Para começar, o trem. Assassinato no Expresso do Oriente se passa essencialmente no famoso trem, que Poirot pega por acaso e acaba testemunhando um assassinato.
E essa atmosfera está toda lá: a sensação de aperto – é um trem, afinal de contas – de proximidade entre aquelas pessoas, tão estranhas entre si e unidas por um acaso que é a viagem. Outro ponto de destaque desse trem é a elegância. Branagh construiu com a cenografia e o figurino do filme um ambiente elegante, digno do Expresso do Oriente.

Outra coisa que está ali são os muitos personagens. E não só muita gente, mas muita gente talentosa. Todos os atores – especialmente Michelle Pfeiffer – estão bastante confortáveis em seus papéis e conseguem imprimir no público aquela eterna sensação de dúvida. Até Johnny Depp, que eu esperava me decepcionar, entrega um ótimo trabalho.

Branagh, contudo, merece todos os louros. Além de dirigir o filme com a elegância de um Shakesperiano, ainda faz um Hercule Poirot como a gente espera: inteligente, com suas manias e tiques tão peculiares. E o indefectível e marcante bigode. Falta, talvez, um pouco da estranheza de Poirot e sua consciência da genialidade. Mas nada que comprometa a obra.

Se você gosta do clima de mistério e do “Quem Matou?”, vai gostar bastante.

Studio na Colab55
André Sobreiro
André Sobreiro

Jornalista, daqueles que acredita no momento mágico em que as luzes do cinema se apagam e o filme vira a realidade

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