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LGBTudo | Os gays da temporada

por Will Poliveri comentários
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Oi, saladinxs! Depois de um ano em que Moonlight, com a jornada sensível de seu protagonista gay e negro, foi o grande vencedor do Oscar, todo LGBTQ apaixonado por TV e cinema deve estar se perguntando: qual a próxima produção que vai conseguir a mesma visibilidade? A ótima notícia é que a atual temporada tem reservados bons frutos para já correr atrás ou para ficar atento nos próximos meses. Seja graças ao retorno de ícones gays ou pelos louros colhidos por alguns filmes em festivais e indicações ao redor do mundo.

Para não gerar uma lista quilométrica, não vou indicar novas temporadas de séries que há anos vêm nos retratando com louvor e mostrando toda a diversidade do arco-íris, como Transparent e Orange Is The New Black. Então anota 4 dicas que precisam entrar na sua lista.

O retorno de Will & Grace

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Apesar de ser uma nova temporada, Will & Grace merece driblar meu veto porque é o retorno de uma série enterrada desde 2006. Uma das estreias mais aguardados de 2017, depois que o vídeo especial sobre as eleições americanas atiçou os fãs no ano passado, o seriado voltou com força total para nona temporada e já teve a décima temporada garantida.

E quem pensa que é um daqueles retornos oportunistas, os episódios que já exibidos mostra que os produtores vão tocar em vários temas importantes da atualidade. Além de satirizar o governo Trump, o roteiro já retratou como os gays lidam com o envelhecimento, defendeu a importância de lembrar a luta da comunidade LGBTQ e ainda criticou a cura gay, tudo isso com a sensibilidade e o humor sagaz que sempre foram marca da série.

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Em 2012, ao falar sobre a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o então vice-presidente Joe Biden declarou que a série foi essencial para criar empatia sobre os direitos LGBTQ. Então ver este retorno justamente quando o conservadorismo ameaça várias conquistas dos últimos anos, é ter um aliado importante toda semana na TV.

A temporada ainda não tem previsão de estreia no Brasil e nem de chegada aos serviços de streaming. Mas, claro, você já pode encontrá-la para baixar por aí (e não fui eu quem te disse isso!).

Me Chame Pelo Seu Nome

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Se você conseguiu fugir de todo o hype em torno de Me Chame Pelo Seu Nome, parabéns! Ainda que aparentemente não seja tão visceral como Moonlight, é este filme do diretor italiano Luca Guadagnino que deve ser lembrado como a história LGBTQ mais falada deste ano.

Ao retratar a história de amor entre um jovem estudante de 17 anos com um amigo de seu pai durante um verão na Itália na década de 1980, o filme tem sido incrivelmente ovacionado pela forma sensível e erótica como mostra a descoberta do desejo entre estes dois homens. Tanto que no site Metacritic, que agrega as críticas publicadas pela imprensa, ele chega a figurar à frente de Durkink, do diretor Christopher Nolan, que é um dos filmes dados como certo no Oscar do ano que vem.

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O filme já percorreu os festivais de Veneza, Berlim e Toronto (sendo elogiando nos três) e aqui no Brasil já foi exibido no Festival do Rio – já tem até crítica aqui no Salada-, na Janela Internacional de Cinema de Recife e vai ser exibido em São Paulo na segunda quinzena de novembro dentro do Festival Mix Brasil. Se você perder essa data, vai precisar esperar pela estreia nacional, prevista para 18 de janeiro de 2018.

120 Batimentos por Minuto

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Outro filho dos festivais deste ano, o filme saiu de Cannes com o Grande Prêmio do Júri (o segundo troféu mais importante do festival) e foi escolhido como o melhor filme de acordo com os críticos cinematográficos. E mais: ainda arrancou declarações de um Pedro Almodóvar emocionado, que afirmou que o longa o tocou desde o começo.

Produção francesa do diretor Robin Campillo, o longa retrata a luta dos ativistas do grupo Act Up, que no início dos anos 1990 defendia os soropositivos, lutando contra a homofobia, o descaso do governo francês e a morosidade da indústria farmacêutica.

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É uma ficção com muitas tintas autobiográficas, pois o diretor fez parte do movimento e já declarou que “o filme não é para passar uma mensagem, é para lembrar um grupo de pessoas que se uniram quando a epidemia provocava resultados trágicos e ninguém ousava falar sobre ela”. Para o GLAAD, organização não governamental americana que acompanha a representatividade da comunidade LGBTQ na mídia, é uma produção intimista, poderosa e lindamente dirigida.

120 Batimentos por Minuto foi indicado para ser representar a França na corrida por uma vaga no Oscar de Filme Estrangeiro e acabou de estrear em circuito restritíssimo nos EUA. Por aqui, desembarca em 11 de janeiro de 2018.

Tom of Finland

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E para continuar na leva dos possíveis indicados ao Oscar de Filme Estrangeiro, é legal prestar atenção na cinebiografia do ilustrador que definiu muitos dos fetiches e da cultura sexual gay: Tom of Finland. O roteiro segue a trajetória de Touko Laaksonen, o homem por trás da assinatura artística, do tempo em que ele era soldado do exército finlândes durante a Segunda Guerra até quando sua obra passou a ser aclamada nos Estados Unidos e definiu muito a cultura leather.

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O mais bacana do longa é acompanhar como Tom transformou um desejo sexual quase criminalizado na época em desenhos com uma alta carga erótica, sexualizando principalmente os policiais que agrediam os gays. É o uso da repressão para despertar o desejo que ela mesmo tentava reprimir.

Tom of Finland foi indicado pela Finlândia para concorrer à vaga no Oscar e já está em exibição nos EUA. Ainda não tem data de estreia no Brasil (se é que chega oficialmente), mas já está disponível para download na internet.

No final, minha lista está muito focada nos homens gays. Talvez porque sou um ou porque a indústria, comandada por homens, dá mais destaque e reconhecimento para histórias gays do que sobre as outras letras da sigla LGBTQ. E olha que eu pesquisei, hein! Então vamos fazer assim: se você tiver outras dicas, principalmente que retratam as outras orientações sexuais ou identidades de gênero, deixa nos comentários? Prometo que crio uma segunda coluna com as dicas de vocês!

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Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

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