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Crítica | A Noiva

por Graciliano Marques comentários

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É difícil ver um filme de terror que não seja dos Estados Unidos entre as estréias da semana. No máximo o que se vê é um filme nipônico fazendo uma rápida aparição, isso quando não é comprado por um estúdio norte-americano para um whitewashing remake. Não foi ainda o caso de A Noiva, filme russo lançado no início do ano e que fez um grande sucesso nos cinemas do outro lado do mundo, mas que só apareceu em terras brasileiras 9 meses depois. A Noiva conta a história de Nastya, uma jovem universitária que vai passar o final de semana no interior da Rússia com a família de seu futuro marido. Em uma casa com aspecto macabro e residentes estranhos, ela passa a ter sonhos com visões do passado e alucinações acordada, enquanto descobre aos poucos que seu casamento, previsto para acontecer em dois dias, não é apenas uma troca de alianças na presença dos familiares do noivo..

Quando você assiste o trailer, a impressão que fica se confirma nos 5 primeiros minutos no cinema: você já sabe praticamente o que vai acontecer no decorrer de uma hora e meia de filme, porém cria a expectativa por uma reviravolta que, infelizmente nunca vem. São tantas as “inspirações” em filmes como A Chave Mestra (2005) e A Mulher de Preto (2012), e até à Corra (2017) que foi lançado alguns meses depois nos Estados Unidos, que o filme acaba perdendo um pouco da sua proposta de originalidade e passa a ser apenas um filme B tão bem produzido que só faltou um roteiro consistente para ser classificado como A.

Com um elenco e diretor desconhecidos do grande público, uma única referência talvez seria a semelhança física da atriz principal, Victoria Agalakova, com a Amanda Seyfried (Mamma Mia e Cartas para Julieta). E fica somente na semelhança física mesmo. A atriz é até esforçada, mas fica difícil desenvolver um personagem que tem meia dúzia de falas e fica três dias por vontade própria numa casa, visivelmente assombrada após ser, supostamente, esquecida pelo futuro marido, sem nada que a impeça de fugir. O roteiro parece ter mais personagens de figuração, que você não entende o propósito de estarem alí, do que atores que desenvolvam a história. Nem a suposta Noiva, que dá o título ao filme e deveria ser o personagem criado com o maior cuidado, possui uma forma definida. No início do filme ela aparece vestida de noiva com o semblante de uma mulher jovem, depois ela aparece como um espectro preto de rosto e véu brancos para logo depois aparecer como um corpo em decomposição. Você acaba não sabendo o que temer e, nesse caso, não foi uma boa escolha artística pois acaba parecendo descuido.

Além disso, o filme peca no principal: os sustos. Ao invés de pegarem o espectador desprevenido, apostaram no mais que óbvio ao usar longos segundos com ponto focal em um local escuro e deixar para que os efeitos sonoros, acompanhados da ação, façam o serviço. Uma falha épica.

Como um filme desses consegue fazer sucesso para ser distribuído mundialmente é uma incógnita que não conseguiremos explicar, mas se você é fã de um filme B bem produzido e sem nexo, talvez seja uma boa pedida para uma última sessão do dia.

Studio na Colab55
Graciliano Marques
Graciliano Marques

O que eu quero mais é ser Rei e ver o mundo voando num tapete mágico. Geração Disney de clássicos do Cinema. Publicitário de terno e crítico espectador. Faz sentido?

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