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LGBTudo | Começou a ditadura!

por Will Poliveri comentários

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Assim como não existe beijo gay ou casamento gay, falar de cinema gay também é estranho pra mim. Afinal, beijo é beijo e filme é filme, eles não têm orientação sexual. Porém, não dá pra negar que quem a gente ama interfere no filme que a gente vê. São nesses 120 minutos que muito gay, lésbica, bissexual, trans e queer encontra refúgio para o preconceito, onde gênero e sexualidade deixam de ser tabu. Pelo menos, foi assim comigo.

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E olha que na minha época era muito mais difícil (sim, sou cacura)! Quando me percebi gay nos anos 90, havia raríssimos filmes com tema LGBTQ – só me lembro de Filadélfia. As primeiras histórias gays que tive contato foram garimpadas já nos anos 2000, em vários blogs que divulgavam produções com sexualidades fora do padrão hétero. Não era fácil como ligar a TV e entrar na Netflix: tinha que achar torrents com pouquíssimos compartilhamentos, esperar o arquivo baixar e encarar legendas ruins e imagem sofrível.

Mas, mesmo com tudo isso, era uma experiência reveladora! Ver duas pessoas do mesmo sexo amando, passando pelos mesmos medos que eu, pela descoberta da sexualidade, pelo dilema da saída do armário… Era e ainda é muito emocionante ver um filme que conversa com a minha vida e mostra que os meus sentimentos são iguais aos de todo mundo.

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Pra quem nunca passou por isso, pode parecer mimimi. Mas sim, representatividade importa! A maioria dos LGBTQs cresce sem ter uma referência de comportamento gay ou trans simplesmente porque o assunto não é conversado, nutre o sentimento de que seu jeito é antinatural ou passa pela confusão de não saber qual nome dar para o que sentem. E é aí que o cinema deixa ser só entretenimento: ele vira uma ferramenta que faz as pessoas se sentirem bem consigo mesmo, fortalece a identidade LGBTQ e utiliza a nossa empatia para destruir preconceitos inclusive dentro da comunidade gay e trans. Sim, porque eu me tornei um gay melhor graças ao cinema!

É por isso que a gente estreia esta coluna aqui no Salada de Cinema: pra criar um espaço onde todo saladino LGBTQ possa se encontrar. Mesmo que hoje seja mais fácil ver estes filmes e séries, é importante ter locais onde a gente se sinta acolhido, incluso e representado, ainda mais com esta onda de conservadorismo que começa a tomar conta do mundo. Ter um espaço voltado para a diversidade sexual não é só um ato de resistência: é dizer em voz alta que nós existimos e que não adianta tentar nos invisibilizar.

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Vai ser fácil escrever sobre o assunto? Não vai, talvez seja um dos maiores desafios do Salada. Além de todos os preconceituosos que vão sair das catacumbas da internet, é difícil usar a minha vivência particular – ou a de qualquer outro LGBTQ – para falar sobre sexualidade e gênero, duas experiências que são muito individuais e variam de pessoa para pessoa. E se a gente levar em consideração que sou um gay branco de classe média, qualquer generalização é um convite para falar besteira. Então se eu disser alguma bobagem, se você não concordar com o que escrevi, se a sua experiência te fizer enxergar as coisas de um jeito diferente ou se algo soar ofensivo, puxe minha orelha nos comentários e nas redes sociais! Empatia e desconstrução são exercícios diários, então vamos aprender juntos!

Você quer lacre, @? Então strike a pose que a ditadura gay chegou ao Salada de Cinema!

Studio na Colab55
Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

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