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Série x Livro: diferenças de “The Handmaid’s Tale”

por Gisele Santos comentários
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Motivos não faltam para você assistir a premiadíssima “The Handmaid’s Tale” do streaming Hulu e ganhadora do Emmy de 2018. Também sobram motivos para você ler o livro que dá origem ao seriado, escrito lá em 1985 pela canadense Margaret Atwood. A leitura não é das mais fáceis, exige bastante concentração e pode ser até lenta nos primeiros capítulos, mas realmente a trama criada por ela é assustadoramente atual, criando um mundo onde o papel da mulher é totalmente suprimido e o conservadorismo religioso toma conta de todas as esferas de poder.

Claro que não poderiam deixar de haver diferenças entre o livro e a série de TV. Afinal, são veículos bem diferentes e formas distintas de contar a mesma história. Mesmo assim, separamos as principais diferenças entre os dois (por isso esse txto possui alguns spoilers se você não viu ainda a série e não tenha lido o livro). Bendito seja o fruto e vamos à leitura:

O comandante e sua esposa
Se no seriado o comandante é bonitão e sua esposa é jovem e bonita, no original é bem diferente. Ambos são bem velhos e por isso não podem ter filhos e precisam da aia para esse papel. Serena Joy, inclusive, era uma ativista do movimento ultraconservador e vivia dando discursos de moral e bons costumes na televisão antes do início do regime. Na série, a personagem é mostrada como uma escritora que teve um papel fundamental para a construção da atual sociedade, mas que, por ser mulher, acabou relegada a um papel mais do que secundário.

A mãe de June (Offred)
No livro a mãe de June é bem importante e na série ela se quer é mencionada. Apesar das diferenças entre as duas, a mãe é personagem fundamental em vários momentos da narrativa. Talvez a personagem ganhe alguma relevância na segunda temporada da série.

A personalidade de June (Offred)
No livro June não é uma revolucionária como a série apresenta. Pelo contrário, ela se conforma fácil demais com a situação atual do novo regime, mesmo tendo em mente encontrar a filha e o esposo, que ela não sabe se estão vivos ou mortos. A série pinta a personagem menos submissa e mais articulada do que o original. Acho que isso foi uma diferença que deixou o personagem ainda mais interessante na série.

Hannah está viva
No livro, Serena Joy mostra para Offred a foto de sua filha. Já na série a cena é bem mais trabalhada, com a menina em uma espécie de orfanato, bem e saudável. A esposa usa então essa arma para usá-la contra a aia. A saída da série me pareceu ainda mais interessante.

Offred grávida
Na série Offred engravida de Nick. No livro isso não acontece. Sendo assim, não há uma chantagem de parte da esposa em relação à filha da aia, que sabemos está viva. Outra questão diferente em livro e série é o destino de Ofglen, que na série sofre uma mutilação e permanece viva, enquanto que no livro ela se suicida quando descobre qual será o seu futuro.

Luke está vivo
Todo o arco de Luck e sua chegada no Canadá só existem na série. No livro, pouco se fala do que aconteceu com a marido de Offred logo após eles serem presos pelo regime. A saída mostrada pela série me pareceu uma ótima forma de desenvolver mais o personagem e dar uma esperança para a sofrida vida da aia.

Moira (fuga e chegada no Canadá)
Na série, Moira e June fogem juntas, mas somente a primeira consegue entrar no trem para Boston. No livro, a fuga é contada pela própria Moira quando as duas se encontram na Casa de Jezebel. Mas ela faz tudo aquilo sozinha, sem a ajuda da amiga. A sua chegada ao Canadá também não é mostrada no livro.

Final parecido, mas com um detalhe bem importante
O final da primeira temporada é muito parecido com o final do livro, com Offred entrando em uma van preta sem saber o seu destino. No livro, existe ainda um epílogo onde um professor especializado nos estudos de Gilead, anos depois, encontrando os relatos da aia e fazendo uma avaliação do antigo regime e o papel das pessoas que participaram dele.

A segunda temporada já foi anunciada e esperamos que muitos pontos desse maravilhoso sejam abordados.

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Gisele Santos
Gisele Santos

Jornalista, membro da ACCIRS, apaixonada por cinema desde sempre. Cidadão Kane e O Poderoso Chefão são minhas bíblias sagradas, mas Harry Potter e Star Wars têm seu espaço na minha prateleira.

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