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Críticas

Chocante

por André Sobreiro comentários

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Você é saudosista? É daqueles que se recordam de décadas passadas com nostalgia? Se sim, pode ser que Chocante seja o filme para você. Mas definitivamente não é para mim.

O filme, com direção de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, recorre sem pudor ou sutilezas às memórias das pessoas de bandas e programas dos anos 90. A trama conta a história da fictícia Chocante, uma das muitas boy bands de um sucesso apenas que já existiu. Com uma curta carreira de sucesso, a banda acabou após uma briga em pleno palco e, em 2017 quatro deles se reencontram no velório de Tarcísio, o quinto integrante que morreu ao ser atingido por um vaso de orquídea na cabeça.

O quarteto, vivido por Bruno Mazzeo, Bruno Garcia, Lucio Mauro Filho e Marcus Majella, acabam por encontrar uma antiga groupie da banda – que lança a chama de um possível reencontro da banda.

Cada um deles com suas vidas anônimas e frustrantes se veem diante da vontade de retomar os tempos áureos. Para isso, recorrem ao antigo empresário que apresenta uma solução: a entrada de um quinto – e jovem – elemento.

E agora, com a trama em mãos, vamos à realidade. A reconstrução dos anos 90 é boa, bem boa. As referências ao Gugu Liberato, o Pintinho Amarelinho e outros elementos que fizeram história na época são, de fato bem boas. E uma cena bem no começo do filme arranca gargalhadas e nos criam a promessa de um filme divertido.

Engano. Ao mesmo tempo que os clichês se amontoam e a tentativa de contar as vidas de todos os integrantes – o que resulta numa trama que se arrasta demais – vão criando um filme sem graça, com piadas que no máximo arrancam um sorrisinho amarelo e, assim como as referências dos anos 90, nos deixam com a sensação de já ter visto tudo aquilo em algum lugar.

Não que uma comédia dessas precise ser totalmente inovadora. Mas mesmo quando busca inovar, o que deveria ser engraçado, acaba só, digamos, melancólico.

Há, dois pontos que merecem destaque. Debora Lamm como a groupie e Tony Ramos como o ex-empresário mostram que talento não tem a ver com tamanho do papel. Com participação bem menor, conseguem brilhar mais em tela que os protagonistas do filme.

Studio na Colab55
André Sobreiro
André Sobreiro

Jornalista, daqueles que acredita no momento mágico em que as luzes do cinema se apagam e o filme vira a realidade

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