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cine mundo: O monstro em cada um

por Caio Cesar comentários

“Tenho certeza que irá encontrar uma solução, querida”. A fala que encerra o filme Grave (Raw), que ainda não entendi porque recebeu essa tradução no Brasil, diz realmente ao que o filme veio. Não procure analogias, não procure metáforas, não crie justificativas. Grave é sobre aceitar o monstro que cada um traz dentro de si.

Dirigido pela francesa Julia Ducornau, Grave é uma produção franco-belga sobre as descobertas e crises de uma jovem em seu primeiro ano na faculdade de veterinária. Drama, romance, suspense… o filme vai além disso e se mostra um prato cheio para os fãs do horror e humor sombrio de Cronenberg. E, apesar de explorar essas descobertas de uma jovem virginal recém-chegada à faculdade, Ducornau não faz de seu longa apenas sobre isso.

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Grave conta a história de Justine (Garance Marillier), vinda de uma família francesa em que todos os membros são veterinários e vegetarianos, a garota vê-se em um mundo hostil e perigoso. Em suas primeiras horas dentro do campus é sequestrada por seus veteranos e forçada a participar de trotes e festas, seus pertences são jogados através das janelas do dormitório, mas o principal acontecimento, que muda todo o rumo da história, é o fato dela ter sido forçada a comer o rim de um coelho cru.

O ato de comer carne parece ter despertado um apetite adormecido na garota que até então era devota ao vegetarianismo e em poucos minutos de filmes vemos uma jovem tímida e introvertida se transformar em um ser faminto ajoelhado ao pé da geladeira devorando um filé de frango cru ou sedenta pelo dedo decepado de sua própria irmã.

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Agora podemos entender porque Grave não é apenas sobre a descobertas, aliás, é sobre a descoberta, mas a descoberta do monstro que existe dentro de cada um de nós. Esse monstro que todos nós carregamos e aprendemos a lidar com ele (Babadook já tinha nos ensinado isso em 2014). Como o próprio filme diz em seus últimos segundos, nós sempre temos a certeza que a solução pode ser encontrada.

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Caio Cesar
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"Filme grego de novo, Caio?" Sim, eu sou desses mesmo. Um curioso definitivo pelo cinema. Se não for grego, vai ser tcheco, japonês, italiano ou francês, e se reclamar, vai ser iraniano! Pra mim, cinema é espelho, retrato e sequela.

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