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cine mulher: Uma protagonista incomoda muita gente…

por Camila de Lira comentários
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Enquanto corria a maratona de Boston, a estudante de jornalismo Katherine Switzer foi brutalmente interrompida por um homem mais velho, um dos diretores da prova de corrida, que tentou não só impedir a garota de terminar a disputa, como também tentou retirar o seu número de registro para a prova. Katherine, no alto da teimosia de seus 20 anos de idade e da sua vontade de competir, terminou a prova. Isso aconteceu em 1967.

Logo após o boato de que a equipe responsável pelo filme “As Madrinhas de Casamento” seria contratada para realizar um remake do clássico “Os caça-fantasmas”, uma série de comentários revoltados surgiu pela internet”. Fãs homens questionavam como o filme ficaria bom se ele seria feito pela mesma equipe que criou um filme apenas protagonizado por mulheres.. Isso aconteceu em 2014.

“Por que eles estão refazendo Ghostbuster com quatro mulheres? Eu sou super a favor dos direitos iguais, mas, caramba!”, reclamou um fã no Twitter ao saber que o tal remake ia mesmo ser protagonizado por mulheres no lugar de homens nos quatro papéis principais. Isso aconteceu em 2015.

Quando publicaram o primeiro trailer do novo “Caça Fantasmas”, um grupo grande de homens fez questão de apertar o botão de “não curtir” no YouTuber, numa campanha de tornar este o trailer de filme mais descurtido na história do site. O que parecia o movimento de um grupo pequenos de pessoas, de fato, atingiu seu objetivo: mais de 600 mil apertaram o “dislike” do trailer do novo Caça Fantasmas no YouTube, a explicação para isso: eles estragaram o filme colocando mulheres. Isso aconteceu em 2016.

Após dez anos de espera, os fãs de Star Wars puderam assistir a um novo filme da série, que iniciaria uma nova trilogia, pegando do ponto após o final do lendário “O Retorno de Jedi”. Tudo estaria a mil maravilhas para os fãs da série, não fosse a protagonista mulher de “O despertar da Força”, Rey. A personagem incomodou uma boa parte do fandom, que, olha bem, reclamou – em muitas vozes – que ela era “muito habilidosa” – quase perfeita demais – para uma mulher. Isso aconteceu no final de 2015.

Assim que o primeiro trailer do primeiro spinoff de Star Wars para o cinema, “Rogue One”, foi lançado, houve uma discussão forte entre os fãs. “Como assim, mais uma mulher em papel principal? Já tá bom, né?”, questionou um grande fã norte-americano da séire. Os brasileiros não ficaram para trás: “Agora todas as protagonistas vão ser mulheres? Nada contra, mas tem que balancear”. Os últimos seis filmes da série Star Wars foram protagonizados por homens, aparentemente, esse era o equilíbrio. Isso aconteceu em 2016.

A BBC revelou na semana passada que o 13º Doctor Who, série de ficção científica britânica criada em 1963, seria na verdade A doutora, feita por Jodie Whittaker. A reação negativa foi absurda, fãs da série ficaram inconformados com o fato do personagem principal da série, um alienígena que faz viagens no tempo usando um computador/nave em forma de cabine telefônica, pudesse ser uma mulher. Até mesmo um ator que fez o “quinto” doutor falou que era uma perda enorme de um modelo masculino para meninos. Isso aconteceu em 2017.

Até quando, gente, até quando mulheres protagonistas vão incomodar?

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Camila de Lira
Camila de Lira

Jornalista formada pela USP, é cinéfila desde os 4 anos de idade, quando assistia a filmes da Disney, da Turma da Mônica e de Chaplin.Sonha em acordar num musical ou em um filme de Fellini ou num clipe de David Fincher.

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