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cine mundo: Ser gay no Oriente

por Caio Cesar comentários

Você, LGBTQI brasileiro, com certeza já foi vítima de homofobia ou possui alguém próximo que foi. Você também tem medo que sua família e amigos virem as costas ao saberem da sua identidade. E mesmo quando você está cercado de amigos, sabe o quão solitária pode ser a vida de um LGBTQI. Eu sei que você quando, sai na rua, também tem medo de apanhar, de se machucar e até de morrer.

Segundo o Grupo Gay da Bahia, 2016 foi o ano mais violento contra pessoas LGBTs. Foram registradas 343 mortes, entre janeiro de dezembro do ano passado. Eles afirmam que a cada 25 horas um LGBT foi assassinado, o que faz do Brasil o campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais. Sim, agora é fácil entender porque você tem medo de sair e nunca mais voltar para casa.

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Hoje estamos à beira da 21ª edição da Parada do Orgulho LGBT e o momento não é apenas de festa, mas principalmente de reflexão e luta, pois vivemos em um país no qual a homofobia não é considerada crime. Aliás, poucos ainda são os países que criminalizaram a homofobia, mas muitos são aqueles que ainda consideram a homossexualidade crime. O cenário pode ser pior.

Segundo o relatório da ILGA (International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association), 13 países preveem a pena de morte para atos sexuais consentidos entre pessoas adultas do mesmo sexo. Em quatro deles (Sudão, Arábia Saudita, Irã e Iêmen) a pena é efetivamente aplicada pela Justiça no país todo.

“Arábia Saudita planeja executar gays que mostrem sua sexualidade na internet”, “Arábia Saudita: exílio, chibatadas ou morte por apedrejamento”, “Arábia Saudita prende quatro homens por homossexualismo”, etc. Como eu disse, ser LGBTQI no Brasil não é fácil, agora imagina fazer parte desse grupo e ser árabe. Difícil, não é? Oriented, documentário disponível na Netflix, nos ajuda a colocar mais próximo da vida de três homossexuais que vivem no Oriente Médio.

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Oriented acompanha a vida de Khader, Fadi e Naeem, três Palestinos que moram em Israel e vivem de perto conflitos políticos, religiosos e de identidade. Mas como diz o diretor Jake Witzenfeld, “o filme é sobre palestinos, mas não estamos pedindo que os espectadores escolham lados. Queremos compartilhar a realidade deles, suas vidas”.

Diferente da Arábia Saudita e de territórios palestinos, Israel é o único país no Oriente Médio, além da Turquia, onde há vida gay aberta e assumida. Por isso, muitos homossexuais palestinos mudam-se para Israel como os protagonistas do documentário.

Khader é o queridinho da turma e também a principal figura do documentário. Apesar de ser israelense, ele considera-se palestino, fato que se mostra o primeiro conflito apresentado ao longo da obra e que ganha maiores proporções quando é revelado que seu namorado é judeu. Contudo, como o próprio diretor diz, o interessante desse documentário é que um meio-termo é apresentado:

“Quando as pessoas pensam em conteúdo sobre o conflito Israel-Palestina, eles imediatamente esperam que seja algo 8 ou 80. Eu acho que o mais incrível é que, com esse filme, nós conseguimos criar um espaço meio-termo. Eu quero que as pessoas fiquem confusas, que se perguntem sobre o que elas sempre acreditaram e se questionem sobre o que esse filme as fez acreditar”.

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Caio Cesar
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"Filme grego de novo, Caio?" Sim, eu sou desses mesmo. Um curioso definitivo pelo cinema. Se não for grego, vai ser tcheco, japonês, italiano ou francês, e se reclamar, vai ser iraniano! Pra mim, cinema é espelho, retrato e sequela.

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