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A Múmia

por Graciliano Marques comentários
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Antes de poder falar sobre o filme A Múmia (2017), acho importante contextualizar o por quê desse reboot de uma trilogia de sucesso dos cinemas, estrelada por Brendan Frasier entre 1999 e 2008. Lá em 2015, a Universal Pictures anunciou que estava trabalhando em um projeto chamado Dark Universe, que seria a criação de um universo onde os personagens de diversos futuros filmes estariam conectados. Até aí muito similar ao que Marvel e DC tem feito. Porém a diferença está no fato de que, ao invés de termos super-heróis, no Dark Universe os monstros clássicos como Drácula, Frankenstein e Lobisomem, entre outros, seriam os protagonistas. Monstros esses que, diga-se de passagem, foram parcialmente responsáveis pela consagração da Universal Pictures durante a era de ouro do cinema em Hollywood.

O título escolhido para o pontapé inicial desse projeto foi o reboot de A Múmia (seria Drácula – A história não contada, mas ele foi tão ruim nas bilheterias que foi completamente ignorado pelo estúdio nesse Universo). Dirigido por Alex Kurtzmann, conhecido por roteiros de filmes como Star Trek e Transformers, o filme só possui um easter egg em referência ao original. Ambientado nos dias atuais, A Múmia conta a história de Nick Morton, interpretado por Tom Cruise, um caçador de recompensas que, por “sorte” do destino, acaba descobrindo uma tumba egípcia enterrada em solo Iraquiano. O que ele não sabia é que a Múmia se tratava da Princesa Ahmanet, interpretada por Sofia Boutella (Star Trek e dançarina da Confessions Tour da Madonna), que foi mumificada viva após ter feito um pacto com Seth, assassinado seu pai, o faraó, e seu irmão recém nascido, o qual tomaria o seu lugar na linha de sucessão no Egito. Ao desenterrar Ahmanet de sua tumba-prisão, Nick é escolhido pela múmia para ser o novo receptáculo do deus Seth e com isso continuar com seu plano de dominação mundial.

Apesar de possuir excelentes cenas de ação e alguns sustos inesperados, faltou um pouco de ritmo após a metade do filme e, principalmente, explicar o universo em que esses personagens estão inseridos. Diferente dos filmes da Marvel e da DC, que já é senso comum que fazem parte de um universo maior dos quadrinhos, já que seus personagens foram criados dessa forma, o Dark Universe é a criação de uma interligação entre monstros de livros que não se encontram em um mesmo universo. Ao espectador que não é antenado em notícias sobre cinema, fica um pouco confuso no meio do filme descobrir que o misterioso Henry, interpretado por Russel Crowe (Gladiador), trata-se do Dr. Henry Jekyll (sim, de O Médico e o Monstro), que além disso é o chefe de uma organização que possui o objetivo de capturar, estudar e eliminar monstros, e você só fica sabendo disso por conta de uma fala do personagem.

A Múmia está mais baseado na ação envolvendo Cruise, que já tem fama de fazer a maioria das suas acrobacias, do que em uma história concisa. Ele tem um ritmo inicial acelerado que deixa o espectador animado, para logo depois jogar um balde de água fria ao arrastar a história que poderia ter sido resolvida em menos tempo, ou então introduzido melhor a idéia de um mundo onde diversos tipos de monstros vivem. Eles não deixam isso claro, e muito menos subentendido. Nem o dilema moral de que todos temos um monstro e um herói dentro de nós é bem explorado. Essa luta do bem contra o mal internos é tratada apenas como uma vontade de cada um e não como um dilema ético e filosófico do ser humano. A sensação é de que A Múmia é mais um filme de ação, estilo Missão Impossível, estrelado por Tom Cruise (que aliás, para nossa alegria, não envelhece nunca) em que foram incluídas figuras sobrenaturais. Uma mistura ao estilo Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros (2012).

Como um filme de ação, A Múmia entrega o entretenimento a que se propõe. O problema está em não aprofundar o contexto em que o filme está inserido para quem já sabe do histórico de sua produção. E por essa mesma razão também deixa um pouco perdido o espectador que não conhece esse contexto, ao incluir um personagem que faz parte de uma história completamente diferente, sem explicar o por quê dele estar ali. O estúdio parece ter feito a escolha de partir do princípio de que todo mundo já estaria ciente de que esse seria um filme que faria parte de um universo maior. Dessa forma, se a pessoa conhece o contexto do Dark Universe, o filme desperta a curiosidade para saber como se darão essas interconexões. Agora, para quem cair de pára-quedas no cinema, será apenas mais um filme de ação sobrenatural. A única certeza é a de que, para quem está a par do cenário maior, o filme será bem mais interessante. Sobrou entretenimento, mas pecou no desenvolvimento.

Assista ao trailer de ‘A Múmia’:

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Graciliano Marques
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O que eu quero mais é ser Rei e ver o mundo voando num tapete mágico. Geração Disney de clássicos do Cinema. Publicitário de terno e crítico espectador. Faz sentido?

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