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Entrevistas: Letícia Lima e Emiliano D’Avila

por Diego Olivares comentários
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‘Ninguém Entra, Ninguém Sai’, em cartaz nos cinemas, é uma comédia inspirada numa crônica de Luis Fernando Veríssimo. Nela, um grupo de casais que não se conhece fica isolado em quarentena dentro de um motel, depois da suspeita de que um perigoso vírus pode ter tido origem no local.

Com a possibilidade de criar um chamado “filme-coral”, com diferentes personagens e subtramas dividindo o protagonismo, o diretor Hsu Chien aproveitou para escalar um elenco onde diferentes gerações do humor nacional se encontram.

Representantes de uma leva que ficou conhecida do público há relativamente pouco tempo, Letícia Lima (ex-Porta dos Fundos) e Emiliano D’Avila (‘Vai que Cola’) formam o casal Edu e Suelen, responsáveis pelos momentos mais engraçados da trama. A dupla conversou sobre a experiência com o Salada de Cinema:

Salada de Cinema – Como vocês definem seus personagens no filme?
Emiliano D’Avila – O Edu é um cara malandro, pegador. Só que a Suelen para ele é uma mulher especial, o Edu realmente gosta da Suelen. Mas na primeira noite de sexo deles, ela pede um anel de casamento… Aí é um pouco demais pra ele, e rola esse conflito de interesses.

Letícia Lima – Antes da primeira noite deles! É inusitado, tem um certo tom de exagero, mas ela é uma mulher superforte e determinada. Ela tem certeza de que é isso o que ela quer: ela não quer transar com esse cara sem ter a certeza que ele quer o mesmo que ela e ela vai até o fim.

Que tipo de humor vocês mais gostam de fazer?

ED – Aquele que é engraçado! (risos)

LL – Eu sou uma atriz muito livre, muito inquieta. Gostando do roteiro, da proposta, e achando divertido, eu não tenho limitações do tipo “tal humor eu não faço”. É claro que eu tenho uma identidade que começa a se construir, mas eu gosto também de experimentar.

ED – Eu acho que o humor, primeiro de tudo, precisa ser engraçado. Porque tem muita gente que acredita que faz humor e não tem a menor graça. E acho que o humor não pode ser opressor. Ele é uma válvula inclusive de libertação, de catarse, e acho que isso é importante também.

O elenco de ‘Ninguém Entra, No Sai’ é um verdadeiro encontro de várias gerações. Como foi trabalhar com tanta gente de formações diferentes?

LL – Foi rico, porque convivi com atores que já admirava, mas nunca tinha trabalhado, e de repente um único trabalho reunir tantos estilos diferentes de humor… Eu não sei onde mais a gente conseguiria fazer isso desta maneira. Foi bem especial por isso. Não sei se vou fazer um dia outro trabalho que reúna tantas gerações do humor.

E ao mesmo tempo com espaço pra vocês proporem coisas novas e improvisarem no roteiro. Como foi esse processo?

LL – No meu caso já é uma característica que o diretor e a produção me chamam sabendo que eu trabalho com o improviso. Então tem essa parceria. E o bacana mesmo é a gente ter essa liberdade e o jogo de escuta, a troca.

ED – Foi uma produção e uma direção de muita escuta. O elenco estava sempre muito no foco da cena. Embora tivesse muito uma preocupação do diretor com iluminação, fotografia e direção de arte, mas o ator estava sempre no foco. O Hsu é muito generoso com o ator.

Como achar o foco para as cenas de drama que existem dentro do arco de seus personagens, num filme onde a comédia é tão rasgada?

LL – O bacana para mim é que eu tive a oportunidade de fazer, num trabalho de humor, um momento de drama. Porque o que acontece é que muitas vezes numa comédia todo o desenho do personagem é dentro do humor. E eu sou uma atriz que faz humor, mas faço os outros gêneros também, e amo. Então foi bacana poder juntar no mesmo projeto.

ED – Isso enriquece, dá profundidade ao personagem, dá contradição. Humaniza, até.

Quais outros filmes que vieram à cabeça como referência na hora de se preparar para gravar ‘Ninguém Entra, Ninguém Sai’?

LL – Eu lembrei de um filme que não tem nada a ver, que é ‘O Anjo Exterminador’ [filme de 1962, dirigido por Luis Buñuel], mas só porque eles estão enclausurados (risos). Mas em relação à comédia, acho uma coisa bem única.

ED – É uma situação dramática que eu nunca vi antes!

Assista ao trailer de ‘Ninguém Entra, Ninguém Sai’:

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Diego Olivares é pós-graduado em jornalismo, mas aprendeu tudo que importa dentro de uma sala de cinema.

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