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cine clássicos: o homem que inventou o Alien

por Will Poliveri comentários
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Oi, saladinos! Sempre que se fala em Alien – O Oitavo Passageiro, de 1979, normalmente é para lembrar que o filme catapultou o diretor Ridley Scott e a atriz Sigourney Weaver para o estrelato. O que pouco se fala é que o longa não seria um clássico do terror se não fosse por uma pessoa: H.R. Giger. Foi este artista suíço, com suas criações perturbadoras, que desenvolveu o alienígena mais assustador e fatal da sétima arte, dando origem a um legado que já dura quase 40 anos.

REI DA BIOMECÂNICA

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Quando foi chamado para integrar a equipe de Alien, H.R. Giger já era uma artista conhecido por seus desenhos biomecânicos. Arquiteto e desenhista industrial, o suíço unia a grandiosidade arquitetônica com engrenagens industriais para criar obras surrealistas que fundiam o corpo humano com máquinas, tudo da maneira mais sexualizada e incômoda possível. Não é surpresa, portanto, que o artista logo entraria no radar da indústria cultural, desenhando capas para álbuns de rock e concebendo cenários para filmes de ficção científica – Giger foi o designer do filme Dune, de Alejandro Jodorowsky, que nunca saiu do papel, mas cujos esboços fascinam até hoje pelo potencial visual.

Ao ser contratado para Alien – O Oitavo Passageiro, Giger recebeu uma missão clara: criar tudo estava que relacionado ao extraterrestre ameaçador que aniquila os tripulantes da nave Nostromo. Giger criou a aparência do alienígena, sua nave perdida, os ovos dos quais ele emerge, o parasita que ataca um dos humanos e até o planeta desértico que o monstro habita. Sua única restrição no projeto era não tocar em nada relacionado aos personagens humanos, que ficaram a cargo de outro designer.

BARRADO NO AEROPORTO

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Não é exagero dizer que as criações de Giger elevaram Alien de filme B para um longa realmente assustador e memorável. É só ver os esboços do alienígena antes de sua entrada no projeto para entender tudo que o filme poderia ter sido – e felizmente não foi. Nas mãos de Giger, o Xenomorfo se desvencilhou da principal limitação da ficção científica: criar aliens semelhantes aos humanos. Começando que sua criatura não tinha olhos, o que a tornava ainda mais perturbadora e sem alma, mas, mesmo assim, exercendo uma sedução mórbida que misturava nojo e fascínio. “Eu sempre quis que meu alienígena fosse muito bonito, estético. Um monstro não é apenas nojento, ele pode ter um tipo de beleza”, ele defendia.

Seus desenhos iniciais para o extraterrestre eram tão perturbadores que os esboços chegaram a ser apreendidos no aeroporto de Los Angeles. Eles só foram liberados depois que os produtores conseguiram provar que eram projetos para um filme de terror. E mesmo recebendo sinal verde para trabalhar, a liberdade criativa de Giger precisou se dobrar a alguns palpites da Fox. Enquanto criava os ovos do alien, por exemplo, Giger precisou alterar a forma como eles se abriam, pois pareciam muito vaginais.

ARTE PARA LOUCOS

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A partir de seus desenhos, Giger traduziu visualmente toda a ferocidade de uma fera animalesca, com características físicas que ampliavam o pesadelo. Como o próprio Ridley Scott gostava de resumir, “a arte de Giger escava nossas psiques e toca nossos mais profundos instintos e medos primitivos”. Pelo design do alienígena, o artista recebeu merecidamente o Oscar de Melhores Efeitos Especiais e, dali em diante, colaborou com outros longas de ficção científica. Além das três continuações da franquia, sua mão esteve presente em A Experiência e Poltergeist II, além Prometheus, no qual Ridley reaproveitou vários projetos que o artista desenhou para Dune e que nunca tinham visto a luz do dia.

Ainda que muitas vezes renegasse seu trabalho na telona, pois ele era constantemente alterado pelos estúdios, o maior orgulho de Giger até sua morte, em 2014, era sua influência no mundo da tatuagem, com muitas pessoas estampando a estética biomecânica na própria pele. “Minhas criações parecem causar impressão mais forte em pessoas que são loucas”, ele afirmava. Se essa forte impressão for o pavor primitivo que o Xenomorfo provoca em Alien, é a prova de que a loucura pode ser cinematograficamente epidêmica.

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Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

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