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O Sonho de Greta

por Graciliano Marques comentários
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Existem alguns filmes que, de tão maluca, desconexa e nonsense a história, funcionam bem. Talvez não seja o caso de O Sonho de Greta. O filme australiano é uma adaptação da peça de teatro homônima, ambos dirigidos pela estreante Rosemary Myers. O Sonho de Greta conta a história da tímida Greta, interpretada pela jovem atriz Bethany Whitmore (Mental), que precisa lidar com o fato de ter mudado de cidade e ser nova na escola às vésperas de completar seus 15 anos.

Usando uma premissa nada original, Greta é a típica adolescente introvertida que muda de cidade e começa em um colégio novo. Ela possui pais excêntricos e uma irmã rebelde. Seu melhor amigo acaba sendo um garoto estranho que, na verdade, se aproxima por ter uma queda por ela, enquanto um trio de meninas malvadas e “donas” da escola tentam recrutá-la para seu grupo. Só nessas linhas acima já dá pra ver que a história foi montada com vários clichês hollywoodianos, mas não para por aí. Como todo adolescente que acredita que fugir da realidade pode ajudar a vencer seus medos, Greta possui uma caixa de música que a faz escapar para um mundo ainda mais estranho que a vida real, onde supostamente ela se sente mais segura.

O “drama” principal do filme acontece durante a festa de 15 anos organizada por sua mãe, inicialmente, contra a sua vontade. Em certo ponto, Greta é humilhada pelo trio de garotas más na frente de boa parte de seus convidados, fazendo com que Greta corra para seu quarto e tenha um chilique com seu melhor amigo quando ele decide declarar seu amor. Greta então, do alto dos seus 15 “sofridos” anos, tem um colapso nervoso e desmaia na cama. Aí que a loucura aumenta.

Ela então é “transportada” para seu mundo, nem tão seguro assim, ao perseguir o monstrinho que roubou sua caixa de música. A impressão é de que miraram em Onde Vivem os Monstros (Spike Jonze, 2009) e erraram tanto na mira quanto na potência do lançamento. Com uma sequência de cenas sem pé nem cabeça, onde ela é perseguida por lobos e seus pais são monstros, Greta tenta resgatar sua caixa de música enquanto todos nesse mundo dizem que, na verdade, ela deveria procurar algo mais importante.

Boa parte do elenco é o mesmo da peça original e desconhecidos das telas do cinema. O único aspecto interessante do filme é a atmosfera dos anos 70, bem retratada visualmente e musicalmente. O filme é, inclusive, todo no formato janela clássica (4:3).

O Sonho de Greta pode ter se tornado o pesadelo do estúdio que apostou na adaptação. É fraco, com um roteiro sem densidade e sem tempo suficiente em tela para que possamos entender qual é o real drama dessa garota de 15 anos, e o porque seu drama seria importante o suficiente para ser retratado.

Não se deixe enganar pelo trailer abaixo e, se estiver pela Austrália, vá assistir à peça original, pois, na internet, dizem que é bem melhor.

Assista ao trailer de ‘O Sonho de Greta’:

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Graciliano Marques
Graciliano Marques

O que eu quero mais é ser Rei e ver o mundo voando num tapete mágico. Geração Disney de clássicos do Cinema. Publicitário de terno e crítico espectador. Faz sentido?

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