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Guardiões da Galáxia (2017)

por Thiago Nolla comentários
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É muito difícil que um raio caia duas vezes no mesmo lugar, e é exatamente isso o que James Gunn tenta fazer em Guardiões da Galáxia Vol. 2. De forma geral, a segunda iteração da franquia não é tão espetacular quanto a primeira e sofre alguns problemas no tocante a ritmo, mas ainda se prova extremamente eficiente e divertida – sem mencionar sua preocupação com os próprios personagens e com os fãs.

A história começa alguns meses depois dos eventos do primeiro filme, com a reputação dos Guardiões agora se espalhando pela galáxia inteira. Eles são heróis para contratação e, numa sequência cômica focada em Groot – talvez uma das criaturas mais adoráveis da história do cinema -, mostram sua responsabilidade enquanto lutam contra um monstro espacial em uma missão para a Soberana (encarnada pela incrível performance de Elizabeth Debicki como Ayesha). As coisas rapidamente saem do controle quando Rocket (Bradley Cooper) rouba alguns dos itens que o grupo deveria proteger e retornar para o reino da imperatriz, colocando os Guardiões no topo da lista negra.

Grande parte do primeiro ato consiste em um jogo de perseguição “gato-e-rato” clássico das narrativas Marvel, que acompanham a identidade dos estúdios desde praticamente sempre. A ideia aqui consiste em manter um ponto de controle entre os Guardiões e a esquadra punitiva da Soberana – e o time de bárbaros contratado para matá-los é a principal linha de ação de Vol. 2. Entretanto, o cerne do plot é definitivamente o encontro entre Peter Quill (Chris Pratt) e seu pai, Ego (Kurt Russell). A sacada do roteiro, assinado pelo próprio diretor, é não levar muito tempo até que a reintrodução entre os dois personagens aconteça. E diferente de outras iterações, tal sequência não é desenvolvida às pressas e não deixa falhas durante o caminho: o ritmo é sim mais dinâmico para abrir subtramas que possam completar de forma nada forçada seus quase 120 minutos de duração.

A questão principal é se o encontro entre Peter e seu pai biológico é capaz de preencher o vazio que sua ausência lhe causara, ou se este mesmo buraco já encontrou algo para se encaixar com pessoas como Yondu (Michael Rooker), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista) e o restante dos Guardiões.

Como já percebido, família é o grande tema deste filme entra como uma ramificação narrativa de união. Se a primeira iteração da franquia girava em torno de juntar o time, este é basicamente um teste do quão forte essas relações podem se manter na mais caótica das situações. Os arcos do grupo e os individuais são pensados com bastante cautela, e a jornada envolve a separação forçada do time em suas próprias missões: Gamora, Drax e Peter decidem ir para o planeta de Ego e de Mantis (Pom Klemetieff). Rocket e Groot se juntam a Yondu e a Nebula (Karen Gillan). E como já era de se esperar, a incrível química que carregou o longa antecessor é um pouco deixada de lado aqui.

A saturação talvez seja o grande problema do filme. Toda a necessidade de mergulhar fundo no passado e em todas as relações dos personagens poderia funcionar perfeitamente se cada arco fosse um pouco mais balanceado. Mas aqui, com cada um deles isolado, faz-se quase uma obrigação trazer uma equipe gigantesca de personagens secundários, principalmente antagonistas que reflitam ainda mais os perigos a serem enfrentados pelos protagonistas.

O roteiro tenta explorá-los de forma satisfatória e, na maioria das vezes, consegue; mas à medida que o tempo passa, as histórias começam a se chocar e a se tornarem densas demais – e é sim problemático que nossos heróis estejam ausentes no terceiro ato de viradas essenciais as quais deveriam ter acontecido no segundo. A decisão em manter aqueles personagens específicos fora de mudanças drásticas pode ter sido feita para fazer transformar certos pontos do plot em elementos-surpresa, mas também poderia ter ocorrido simplesmente por problemas de balanceamento das tramas isoladas – e detalhe: de personagens que o público já gostava bastante.

A melhor coisa de Guardiões da Galáxia Vol. 2 é, sem dúvida alguma, é o amor que já temos por cada um dos personagens. Nesta sequência, torcemos para que Peter encontre o relacionamento que sempre desejou com seu pai, ficamos vívidos de raiva e de angústia quando os Bárbaros começam a tratar mal Baby Groot e choramos de rir cada vez que uma piada é contada pela mente autoexplicativa de Drax. O crescimento emocional pelo qual Gamora e Nebula passam como irmãs traz bastante peso para a história, porque nós sabemos o que veio antes disso. Rocket deixa de ser um anti-herói insuportável e passa a lidar com sua própria necessidade de aceitação por parte de seus amigos, dando margem inclusive para uma trágica backstory. E mesmo que a química não esteja lá em algumas partes, separá-los em fragmentos próprios permite que cada arco cresça e seja aprofundado a partir da base existente no primeiro filme.

Assista ao trailer de Guardiões da Galáxia:

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Thiago Nolla
Thiago Nolla

Fã de carteirinha de Aronofsky e Burton, sempre tem um tempo pra ver um filme de animação. Ou intimista. Ou os dois. Também sonha em poder atuar com suas grandes inspirações – Viola Davis e Eva Green.

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