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Logan

por Pedro C. Pardim comentários
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2000 foi o ano de lançamento de X-Men: O Filme, título que ajudou a alavancar o gênero de Super-Heróis ao nível que está hoje e presenteou a cultura pop com uma das performances mais marcantes da geração. No decorrer desses últimos 17 anos e 9 filmes, Hugh Jackman tornou sua imagem diretamente relacionada com a do Wolverine, mesmo não se parecendo nenhum pouco com o personagem dos quadrinhos, prova de que numa adaptação, a semelhança física é insignificante. Logan é a culminação violenta e emocionante de todas as facetas, inseguranças e motivações deste personagem tão complexo. O talento e a paixão que o australiano demonstrou em sua performance é o que faz de Logan uma despedida perfeita de seu Wolverine, e um dos motivos que fazem do filme um dos melhores do gênero.

Ambientado num futuro próximo, onde os mutantes praticamente não existem mais, o filme traz um Logan mais velho e cada vez mais distante da imagem do Wolverine herói e parte dos X-Men. Com seus poderes enfraquecidos, o personagem gasta todo seu tempo e esforço tentando ajudar um doente, e por isso perigoso, Charles Xavier (Patrick Stewart). Quando Laura (Dafne Keen) aparece, uma jovem mutante extremamente parecida com ele, Logan não consegue mais se esconder e é obrigado a enfrentar o seu legado.

A direção de James Mangold aproveita a censura americana máxima (no Brasil o filme ganhou censura de 16 anos) para trazer a versão mais violenta e brutal do personagem. Mas é fascinante como Logan utiliza desta violência não de maneira gratuita, mas sim para demonstrar toda a vulnerabilidade da vida humana e, principalmente, do protagonista que, com sua capacidade de cura enfraquecida, sente muito mais cada golpe e cada tiro que leva.

Nas atuações têm que se destacar, é claro, o trabalho de Hugh Jackman. O ator, que mesmo nos piores capítulos da franquia manteve um nível de comprometimento muito grande com o personagem, entrega aqui sua performance mais complexa e sensível. Com o peso de todo seu passado no olhar, esta é, ao mesmo tempo, a representação mais selvagem e mais humana do Wolverine. Há também o professor Xavier que, em contraposto aos filmes anteriores, está extremamente frágil e instável e Patrick Stewart, como sempre, o representa de forma impecável. Mas no final quem chama a atenção é a jovem Dafne Keen. A garota de apenas 11 anos combina a sua inocência infantil com a intensidade e brutalidade de sua personagem de maneira totalmente convincente.

Tematicamente este é o filme mais rico dos X-Men. Um dos aspectos fundamentais do grupo é a questão familiar e nenhum outro longa da franquia a trata de maneira tão contundente. A relação entre Logan, Charles e Laura é o que nos carrega emocionalmente durante a história. Além disso, a simplicidade e sensibilidade com que Mangold trata a essência do Wolverine, alguém que enfrenta a todos, inclusive a si próprio, para ser o homem que realmente é e não aquele que o tornaram, fazem de Logan um filme que transcende o gênero de ação. O que vemos aqui é, acima de tudo, um emocionante estudo de personagem.

É inteligente também como o filme incorpora a mitologia da franquia. Os quadrinhos dos X-Men fazem parte da história e são usados não só como fan service, mas principalmente como uma ferramenta metalinguística fundamental para a trama, que revela a importância de perspectiva e representação na vida das pessoas.

Além disso tudo, o filme é extremamente contemporâneo. Com uma construção politicamente consciente, Logan, em determinado momento, tem seus personagens tentando atravessar uma fronteira para alcançar a segurança, o que faz deles, essencialmente, refugiados.

Emocionante em todos os aspectos, Logan é um dos melhores filmes baseados em quadrinhos e é a despedida que Hugh Jackman e o público mereciam deste Wolverine.

Assista ao trailer de ‘Logan’:

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Pedro C. Pardim
Pedro C. Pardim

Graças aos meus pais estou em contato com a cultura e artes em geral desde muito cedo, mas a minha paixão é pelo cinema. Sempre foi. Não só paixão, escolhi (e espero) ter o cinema como minha profissão.

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