Salada de Cinema

Notícias, entrevistas, perfis e muito mais de tudo que acontece no mundo do cinema.

Salada de Cinema
Colunas

cine clássicos: Batalha de divas

por Will Poliveri comentários
Salada de Cinema

Oi, saladinos! Como qualquer outra profissão, a vida de artista é cheia de perrengues. Rola frustração, conflitos, favorecimentos, injustiças e, claro, muito arranca-rabo. Por capitalizarem a própria imagem, muitos atores e atrizes colocam o ego à frente das carreiras e aí é convite certo para treta. A mais famosa delas envolve duas das maiores divas do cinema clássico: Joan Crawford e Bette Davis. Uma rixa tão célebre que será contada na primeira temporada da minissérie Feud, que estreia agora em março nos EUA.

Então se você quer se preparar para a série, aqui está tudo que você precisa saber sobre essa rivalidade!

A QUERIDINHA DA AMÉRICA

Salada de Cinema

Joan Crawford entrou para o cinema na década de 1920 com o sonho de ser bailarina. Por isso, suas primeiras aparições foram no coro de filmes musicais, até que chamou a atenção dos executivos da MGM e assinou contrato como atriz.

A primeira reviravolta em sua carreira aconteceu em 1927, com o longa Garotas Modernas. Sua personagem se transformou em um enorme fenômeno popular, um ícone da mulher moderna e dona de si. Com este aval comercial, sua carreira deslanchou de vez e Joan estrelou dezenas de comédias românticas. Porém, seu talento era constantemente eclipsado por sua beleza. Sua boca ressaltada, as grandes sobrancelhas e as ombreiras de seus figurinos eram copiados de canto a canto nos EUA!

Mas como acontece com toda fórmula utilizada à exaustão, no final dos anos 1930 o público se cansou das mocinhas de Crawford e sua popularidade entrou em declínio. Foi quando a atriz decidiu investir em uma nova reviravolta: chega de papéis bobinhos, era hora de ser uma atriz de verdade! Só que esta guinada a colocou em rota de colisão com outra atriz: Bette Davis.

TUDO SOBRE BETTE

Salada de Cinema

Se a beleza abriu portas para Joan, foi a carreira teatral que levou Bette Davis ao cinema. Sua carreira foi construída, desde o começo, com papéis fortes e intensos, a ponto de sua atuação em Escravos do Desejo, de 1934, ser avaliada pela revista Life como “a melhor interpretação de uma atriz americana no cinema”.

Com tanto prestígio, Bette logo foi indicada ao Oscar e levou duas estatuetas para casa: uma em 1935 por Perigosa e outra em 1938 por Jezebel. Mas, mesmo com o reconhecimento, sua maior frustração era ser lembrada como uma atriz talentosa e charmosa, mas que não era bonita (no sentido da beleza clássica de Hollywood) e nem glamourosa. Pelo contrário, era considerada até esquisita por causa de seus marcantes olhos grandes.

Já que não cumpria os requisitos para ser a mocinha clássica, Bette mergulhou de cabeça em personagens que se negavam a ser desejáveis e submissas. Uma estratégia que deu tão certo que, entre 1938 e 1944, Davis só ficou de fora das indicadas ao Oscar uma única vez.

CHOQUE DE MONSTROS

Salada de Cinema

Bette e Joan trilhavam carreiras distintas e até opostas. Porém, seus caminhos se cruzaram quando Crawford decidiu ser reconhecida como uma boa atriz. A partir daí, elas começaram a disputar os mesmos papéis de mulheres fortes, que eram bastante escassos em Hollywood.

Enquanto eram contratadas de estúdios diferentes, a situação se manteve sob controle. Porém, ao se tornarem estrelas da Warner nos anos 1940, uma guerra não declarada passou a se desenhar. Bette saía na frente pois, sendo uma estrela maior e já oscarizada, tinha o direito de escolher primeiro os papéis. O que ela não contava é que Joan seria a protagonista de Almas em Suplício – papel que Bette rejeitou – e ganharia um Oscar com ele. Era o que faltava para declarar guerra!

Por anos, a tensão entre Davis e Crawford foi alimentada pela imprensa, ao ponto de ninguém saber se ela era real ou não passava de fofoca para vender jornais. E, claro, seu ponto mais alto foi quando as duas dividiram a tela em O Que Terá Acontecido A Baby Jane?, em 1962. Seu roteiro colocava ainda mais lenha na fogueira: a história de duas irmãs que se odeiam e se agridem ao longo de todo o filme.

BABY JANE VS. BLANCHE

Salada de Cinema

Durante as filmagens, pipocavam rumores de que o diretor Robert Aldrich preferia Bette a Joan, de que Bette aproveitava as cenas de briga física para realmente bater na rival e de que Bette só aceitou participar do filme porque Joan ficaria confinada na cadeira de rodas o tempo todo, o que limitava a interpretação da rival e impedia que ela se destacasse.

Verdade ou não, o fato é que, apesar de as duas entregarem atuações incríveis no longa, apenas Bette foi indicada ao Oscar. Mesmo assim, Joan conseguiu ofuscar a noite de gala da inimiga. De acordo com o folclore hollywoodiano, Crawford ligou para todas as outras concorrentes a Melhor Atriz pedindo que deixassem ela receber o troféu caso vencessem. E, de fato, quando Anne Brancroft foi anunciada Melhor Atriz em 1963, foi Joan quem subiu ao palco para receber a estatueta, para a infelicidade de uma Bette Davis derrotada.

Como a minissérie Feud ainda não estreou, é difícil prever quanto desta história ganhará a TV. Mas uma coisa é inegável: a rivalidade entre Joan Crawford e Bette Davis é um prato cheio para um ótimo entretenimento!

Studio na Colab55
Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

Veja todos os posts de Will Poliveri
Comentários
Follow my blog with Bloglovin