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cine mulher: Mães e prostitutas – mais 3 tipos odiosos de personagens femininos

por Camila de Lira comentários

Na última coluna, coloquei alguns tipos que Hollywood adora repetir quando colocam mulheres na linha de frente de seus filmes. Nesta, seguirei falando de três dos principais tipos de personagens femininos que continuam dando suas caras nas telonas. Todas elas têm um ponto em comum: a falta de independência, mesmo quando são protagonistas de suas histórias.

Dois desses tipos são fáceis de achar: as mães. Elas podem ficar em dois pontos da linha, ou são as mães-ursas, que fazem de tudo pela suas cria – como Sara ’Connor , de Exterminador do Futuro; ou Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes (que faz o papel de ‘mãe’ de sua irmã); ou a rainha Elinor, em Valente que vira uma ursa literalmente; ou são as matriarcas do inferno, que perturbam e criticam seus filhos – como Violet Weston, de Álbum de Família ou Mary Jones em Preciosa, sem contar em todas as madrastas malvadas de desenhos da Disney.

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Mo’nique como Mary Jones em Preciosa

Ambos os tipos ajudam a reforçar o ideal da maternidade santa tão perpetuada por aí. O ideal de que uma mãe é sempre amorosa, carinhosa, cuidadosa e, principalmente, está sempre disposta a morrer pelo seu filho. Até as “matriarcas do inferno” ajudam a frisar essa ideia pela oposição.

Os outros dois aparecem em comédias-românticas e filmes de super-herói com muita frequência: falo da “prostituta com um bom coração” e da dama em perigo. A primeira é uma mulher que, antes de conhecer o personagem principal – geralmente um homem – tem uma.. “moral duvidosa”, mas, com o tempo mostra que é uma pessoa cuidadosa e atenciosa, ganhando uma “segunda chance” para o mundo, exemplo bem clássico deste tipo é a Vivian, de Uma Linda Mulher; ou Jill, de Era uma vez no Oeste.

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Julia Roberts como Vivian em Uma Linda Mulher

Entre a mamãe-urso e a puta “de bom coração”, a mensagem que dão ao escrever personagens femininas é a mesma: mulheres só existem em relação a outras pessoas, sejam essas os filhos, maridos, namorados, chefes e até homens desconhecidos, que depois se tornam seus interesses amorosos. A vida dessas mulheres é moldada pelos personagens à sua volta, as suas mudanças são intimamente ligadas ao movimento daqueles ligados a ela – como Vivian, que toma a decisão de sair da “vida” de prostituição por causa de Edward ; ou Sara Connor que, apesar de salvar o mundo, se sente mais feliz por ter mantido o filho a salvo.

A passividade das personagens femininas é aplaudida a ponto de transformar a atitude em apenas um caminho para deixar outros personagens felizes. Como falei antes: o cinema é reflexo da sociedade. E talvez esteja na hora da gente perceber que essa sociedade é extremamente problemática.

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Camila de Lira
Camila de Lira

Jornalista formada pela USP, é cinéfila desde os 4 anos de idade, quando assistia a filmes da Disney, da Turma da Mônica e de Chaplin.Sonha em acordar num musical ou em um filme de Fellini ou num clipe de David Fincher.

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