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cine mulher: 4 padrões de personagens femininos que Hollywood ama (e as mulheres odeiam)

por Camila de Lira comentários

A presença feminina nos filmes não é muito diferente da presença feminina no mundo real, pelo menos não ao olhar da sociedade, afinal, como o cinema poderia retratar mulheres complexas e independentes se o mundo constantemente rechaça esse papel, preferindo rotular, generalizar e as estereotipar?

A utilização do clichê, aqui visto sem valoração negativa da palavra, é extremamente comum no cinema: é uma forma dos autores criarem roteiros que sejam mais fáceis dos espectadores compreenderem. Mas, como nada é perfeito, não custa muito para um clichê de roteiro se transformar em estereótipo, basta ser bem aceito pelo público e, assim, ganhar aval para ser repetido por tantas vezes até ficar enraizado, então virar padrão para a própria audiência. Uma vez transformados em padrão, ninguém sabe o que veio primeiro: o estereótipo do cinema ou o da vida “real” – spoiler alert: normalmente é o último.

Para as personagens femininas esse caminho clichê-estereótipo-padrão significou absorver muitos dos chavões da sociedade para as mulheres, como a ideia de que sempre precisam ser bonitas; além de se transformar na saída fácil de roteiristas homens para criar uma personagem feminina sem a necessidade, de, de fato, se aprofundar muito nela. São padrões que Hollywood ama, afinal, são fáceis de seguir e o público parece entender; e que nós, mulheres, odiamos, afinal, são restritos e extremamente simplórios, diferentes dos padrões criados para personagens masculinos – mais complexos e diverso.

Segue a primeira parte dessa lista:

1. Manic Pixie Dream Girl

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Ela é excêntrica, ela é otimista, ela é engraçada, ela usa roupas diferentes de qualquer outra mulher do filme – muitas vezes meio retrô, ela é extrovertida, ela tem um gosto musical vasto e, por alguma razão que ninguém sabe explicar, ela é apaixonada pelo personagem principal, um cara que, de tão comum, beira o “sem sal”. E, cara, ela muda a vida desse personagem muito mais do que muda a própria vida. E eis o deal da MPDG: nada nela é genuíno, todas as suas excentricidades existem para completar o personagem masculino.

Onde aparecem: 500 dias com ela (Summer), Sim, senhor (Allison), Tudo acontece em Elizabethtown (Claire), Doce Novembro (Sara), Hora de Voltar (Sam), Quase Famosos (Penny Lane), O Lado Bom da Vida (Tiffany), Um beijo a mais (Kim), Scott Pilgrim contra o mundo (Ramona Flowers), Mais estranho que a ficção (Ana), Quero ficar com Polly (Polly)

Menção honrosa: Clementine, de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Annie Hall, de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, têm fortes características da MPDG, mas, diferente das outras, elas rejeitam tal rótulo, elas têm vontades próprias, independente dos personagens masculinos.

2. Femme Fatale

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Linda e misteriosa, ela consegue o que quer usando o seu sex-appeal, normalmente, ela perturba a vida do personagem principal com a sua “aura sexy” – e, não importa o quão pouco atraente o personagem principal seja perto dela, ela VAI querer algo com ele e ele, mesmo sabendo que tem algo errado com ela, vai acabar “caindo” na “armadilha”. Não é incomum que sejam vilãs ou que sejam “gold digger”, ou seja, aquelas que ficam atrás de se casar com o personagem principal para roubar a grana dele. Quando adolescentes, são as “lolitas”, meninas que, apesar de ter pouca idade, já sabem usar da sua sexualidade para atrair um homem adulto.

Onde aparecem: Todos os filmes do 007; Instinto Fatal (Catherine Trammel), Beleza Americana, Os Sonhadores (Isabelle), Uma cilada para Roger Rabbit (Jessica), O Falcão Maltês, Segundas Intenções (Katherine), Pecado Original (Julia), Inception (Mal – como figura dos sonhos), Chinatown (Evelyn), Garota Exemplar (Amy)

3. A “bitch” workaholic/ chefe infernal

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Totalmente voltada para a sua vida profissional, essa personagem manda nos seus funcionários com pulso firme e pouca misericórdia. Ela é vaidosa ao extremo – ao ponto de ser fútil em alguns filmes -, é importante que ela esteja sempre bem arrumada, maquiada e, lógico, de salto alto. Seu final depende da sua posição de destaque na história: se é uma das principais, ela recebe uma lição e muda da água para o vinho, e se torna emotiva, a ponto de, algumas vezes, abrir mão de sua vida profissional em nome do “amor”; se é uma das coadjuvantes, ela continua a mesma, mas o personagem principal corta relações com ela de alguma forma (ou pede demissão, ou a manda para o inferno).

Onde você pode ver: Diabo Veste Prada, A Proposta, Kate & Leopold, Sem Reservas, Descompensada (Diana), Como perder um homem em 10 dias (editora), Verdade Nua e Crua, Quero matar minha chefe, O amor não tira férias, Jogo de Amor em Las Vegas, Sex and the City (Miranda)

4. Síndrome do “Antes e Depois”

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A grande jornada dela no filme não é matar vilões, procurar um tesouro há muito escondido ou encontrar um parente sequestrado, é passar por uma transformação na aparência. Então, quando ela percebe que é bonita – AKA, dentro do padrão de beleza – ela ganha uma confiança fora do comum e melhora a sua vida de fora para dentro.
Onde você pode ver: Diário da Princesa (Mia), Ela é Demais, Miss Simpatia (Grace), Diabo Veste Prada (Andy), Grease (Sandra Dee), Casamento Grego (Toula), Clube dos Seis (Allison), Uma Linda Mulher, As Patricinhas de Beverly Hills, A Casa das Coelhinhas, Sabrina, Um Crime entre Amigas (Fern Mayo), Nunca Fui Beijada, Verdade Nua e Crua; Duff

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Camila de Lira
Camila de Lira

Jornalista formada pela USP, é cinéfila desde os 4 anos de idade, quando assistia a filmes da Disney, da Turma da Mônica e de Chaplin.Sonha em acordar num musical ou em um filme de Fellini ou num clipe de David Fincher.

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