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cine clássicos: Westworld na TV e no cinema

por Will Poliveri comentários
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Oi, saladinos! Vocês estão acompanhando a série Westworld? Prestes a acabar a primeira temporada, a produção da HBO é apontada por fãs e críticos como o novo Lost, já que seus mistérios parecem longe de ser resolvidos e se tornam cada vez mais complexos. Se essas previsões vão se concretizar? Talvez só a próxima temporada responda à pergunta.

Por enquanto, o fato é que muita gente desconhece que esta narrativa não nasceu da cabeça dos criadores Jonathan Nolan e Lisa Joy. Pelo contrário, ela é a adaptação de um filme da década de 1970. Entendeu agora porque estou falando da série aqui no Cine Clássicos?

UM PARQUE SEM ALMA

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Westworld (o filme) é a história de um moderno parque de diversões no qual os adultos podem se render a seus instintos mais primitivos. Dividido em três épocas históricas – Roma Antiga, Idade Média e Velho Oeste -, o local é habitado por robôs realistas que encarnam personagens específicos, como a cafetina e xerife, e estão à disposição dos pagantes: podem apanhar, ser mortos e servirem a seus desejos sexuais.

Mas é claro que toda esta modernidade uma hora vai sair dos trilhos. Aos poucos, os robôs apresentam falhas de programação e deixam a responder aos comandos, voltando-se contra os visitantes.

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Aliás, na tradução brasileira, Westworld ganhou o subtítulo “Onde Ninguém Tem Alma”. Uma frase que resume perfeitamente o parque temático e conta com uma dubiedade maravilhosa! Afinal, “ninguém tem alma” porque o parque é habitado por máquinas e os visitantes não têm escrúpulos. Pegou?

UM FILME DE INICIANTE

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Westworld (ainda o filme) foi a estreia do escritor de ficção científica Michael Crichton como diretor de cinema – a obra mais popular dele é o livro Jurassic Park, que inspirou o longa de Steven Spielberg. Foi o primeiro longa da história a usar imagens geradas por computador, utilizando o recurso para simular a visão pixelada dos robôs.

Mas apesar de bem recebido pela crítica na época e de figurar em listas dos Melhores Filmes de Ficção Científica e dos Melhores Vilões, atualmente o longa faz parte daquele time de produções quase esquecidas. E nem mesmo a repercussão da série de HBO deve fazer bem ao filme. Afinal, quem procurá-lo buscando os elementos enigmáticos do seriado terá uma grande decepção.

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Sua linha narrativa é incrivelmente simples: trata-se de um parque infestado por um vírus de computador que faz as máquinas se voltarem contra os humanos. Fim. Sem reviravoltas, sem subtramas e com recursos visuais que evidenciam sua idade. É uma mescla de aventura de faroeste com thriller de perseguição, além de alguns clichês tão carregados que beiram o pastelão.

Pouco experiente na direção, Crichton assumiu publicamente que não dominava a técnica cinematográfica durante a filmagem e só percebeu isso quando acompanhou uma exibição do filme. Sua falta de traquejo foi tão grande que a plateia ria em pontos que não deveriam ter humor e ficava tensa em partes que não eram para ser angustiantes.

UMA VISÃO MAIS PROFUNDA

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Já a série da HBO tem o mérito de pegar a essência do filme e aprofundar seus significados. Além de beneficiado pelo formato, já que um seriado consegue tocar em pontos que um longa de 1 hora e meia nunca conseguiria, Jonathan Nolan pegou toda a experiência roteirizando filmes como Amnésia, Batman – O Cavaleiro das Trevas e Interestelar e injetou profundidade filosófica e metafísica ao roteiro. Assim, Westworld (a série) deixa de ser uma aventura para se transformar em um estudo sobre o que diferencia humanos e robôs, costurando ainda questionamentos sobre ética, manipulação e poder.

Se, na coluna anterior, bati forte no remake de Rocky Horror Picture Show por ele desprezar a essência da obra original e contrariar seus pilares, a Westworld da HBO faz justamente o contrário: entende tão bem sua fonte de inspiração que identifica arestas que fazem a adaptação ser extremamente fiel e, ao mesmo tempo, totalmente diferente.

Com a balança pendendo para o seriado, isso significa que o filme se torna descartável? De jeito nenhum! Até porque, se as teorias dos fãs estiverem certas, o longa não só complementa a série com serve de prólogo para todo aquele circo de brutalidade.

Studio na Colab55
Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

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