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cine música: Músicas fantásticas e onde elas habitam

por Camila de Lira comentários
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No cinema, o ponto de partida de uma sequência (ou “spin off”) nunca é o zero: seja na expectativa do público – potencialmente problemático – quanto no espaço para criar em cima da história – potencialmente mais problemático – nunca se começa do nada quando o filme é o segundo ou terceiro (ou oitavo) de um mesmo mundo. Mas, quando o assunto é trilha sonora, ter uma boa base pode ser exatamente o elemento necessário para se criar mais riqueza.

Falo, logicamente, da trilha de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (2016), mais conhecido como “Harry Potter e os Bicho”, assinada por James Newton Howard (o mesmo que fez a trilha dos últimos Jogos Vorazes e da trilogia do Batman do Nolan).

É inegável a referência que AFOH faz a Harry Potter, tanto na temática quanto nos sons. Howard usa, logo no início do filme, os acordes iniciais da “Hedwig’s Theme” (aquela melodia que arrepia ), só para lembrar: “hey, aqui é o mesmo mundo de Hogwarts, ok?”, depois, a trilha caminha sozinha em sons etéreos e marcação de ritmo forte.

Se ficasse por aí, já seria uma boa trilha, afinal, dá corpo para o mundo mágico sem perder o seu ar de mistério e aventura. Só que ela vai além em dois momentos: o primeiro é quando Modesty, a garotinha trouxa que faz parte do grupo que caça as bruxas norte-americanas, canta uma cantilena completamente macabra enquanto brinca de amarelinha.

A cantilena é mais ou menos assim “sua mãe, minha mãe, bruxas vamos matar”, e a partir daí a garotinha começa a cantar a maneira em que trucidará as bruxas numa voz infantil e ritmada. Se, com isso, o espectador não compreende que o ambiente para os bruxos nos Estados Unidos para onde Newt Scamander viaja é absurdamente mais hostil do que na Inglaterra de Harry, não sei o que é necessário.

A segunda cena nos ajuda a dar a ambientação de época do filme. Diferente da série Harry Potter, onde o ano em que se passavam as histórias não era tão relevante, em “Animais Fantásticos”, o fato de eles estarem em 1926 importa e muito para a história, o que pode ser refletido nos cenários, nos figurinos e nessa música maravilhosa com a letra criada por ninguém mais, ninguém menos que (a rainha suprema da porra toda) JK Rowling.

O ritmo e a forma de cantar dessa música, bem como a cena em que ela aparece: num bar subterrâneo e fora da lei do mundo bruxo, tudo isso remete aos anos 20-30, cantada por uma duende glamurosíssima. A letra, como a duende, é toda mágica. Fala sobre unicórnios, dragões e hipogrifos. Uma maneira muito interessante de juntar os dois mundos e ainda acrescentar uma camadinha a mais de… fantástico.

É nos detalhes que a trilha sonora – e, por que não dizer, a história – de Animais Fantásticos se distancia de Harry Potter da maneira mais positiva que se tem: se destacando e ganhando significado próprio.

Ouça a trilha sonora de ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’:

Studio na Colab55
Camila de Lira
Camila de Lira

Jornalista formada pela USP, é cinéfila desde os 4 anos de idade, quando assistia a filmes da Disney, da Turma da Mônica e de Chaplin.Sonha em acordar num musical ou em um filme de Fellini ou num clipe de David Fincher.

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