Salada de Cinema

Notícias, entrevistas, perfis e muito mais de tudo que acontece no mundo do cinema.

Salada de Cinema
Colunas

cine clássicos: Os maiores monstros do horror

por Will Poliveri comentários
Salada de Cinema

Oi, saladinos! É só passar a época fofinha do Dia das Crianças que o cinema começa a se preparar para seu extremo oposto: trevas, medo e sustos. Apesar de o Halloween ser uma data típica dos países de língua inglesa, já faz muito tempo que ele se transformou em um evento mundial. E é claro que o cinema americano tem grande responsabilidade nesse imperialismo cultural. Seja pelas comédias adolescentes – com seus tradicionais bailes de Dia das Bruxas – ou pela enxurrada de filmes de terror no final de outubro, fantasmas e assassinos mascarados entraram definitivamente para a galeria de calafrios no mundo todo.

Embora vampiros, múmias e lobisomens raramente deem as caras no cinema atualmente, foram estes monstros clássicos que popularizaram o cinema de horror. Uma influência que nos leva de volta aos anos 1930, quando a Universal Pictures criou uma galeria de monstros e espremeu deles tudo que era possível. Mais do que filmes clássicos com as limitações técnicas de sua época, estes longas criaram ícones culturais que seguem na memória, mesmo que você nunca tenha visto estas produções em preto e branco. E você com certeza já improvisou uma destas fantasias para aquela festa de Halloween de última hora.

PRA QUE ESSES DENTES TÃO GRANDES?

Salada de Cinema

Quem puxou a fila dos monstros no cinema foi o vampiro mais famoso do mundo. Em 1931, Drácula não apenas inaugurou um filão lucrativo como estabeleceu as bases que regeriam o gênero. Bebendo principalmente do expressionismo alemão, com sombras, penumbras e contrastes, o longa deu a cara destas histórias, com mansões abandonadas, teias de aranha, mofo, morcegos e escadarias gigantescas.

Mas, acima de tudo, o que torna Drácula uma referência essencial para o cinema é o ator Bela Lugosi. De origem húngara, ele encarnou o vampiro com todo o ar exótico do velho continente e com um sex appeal ao mesmo tempo sedutor e penetrante, sem falar que seu olhar hipnótico é uma das principais cenas já criadas pela sétima arte.

Salada de Cinema

Lidando ainda com as dificuldades de abandonar a linguagem do cinema mudo, Drácula também ganhou uma versão sem falas, pois nem todos os cinemas estavam preparados para exibir filmes falados. Uma adaptação possível graças ao modo que o diretor Tod Browning rodou muitas cenas, excluindo diálogos e focando na atuação física dos atores. Apesar de criticado por esses silêncios excessivos, hoje dá pra dizer que são estas lacunas que intensificam o suspense do filme – ainda que, nos dias atuais, Drácula não assuste nem em uma criança.

ELE ESTÁ VIVO!

Salada de Cinema

Se Drácula buscou inspiração em Bram Stoker, o segundo monstro mais popular da Universal veio da britânica Mary Shelley. Frankenstein foi criado sob medida para Bela Lugosi após o sucesso de Drácula, só que a Universal só não contava que o ator recusaria o papel porque não queria se submeter ao processo de maquiagem e nem interpretar um personagem mudo. Quem acabou se dando bem com a desistência foi Boris Karloff. Atuando em Hollywood há 10 anos e com 80 filmes no currículo, o ator interpretou o monstro com tanta inocência que o papel lhe serviu como passaporte para a história do cinema.

Umas das imagens mais reconhecíveis do século XX, a maquiagem de Frankenstein é apontada ainda hoje como uma das melhores caracterizações do cinema, ainda mais porque o maquiador Jack Pierce usou apenas um kit comum de maquiagem, numa época em que nem mesmo próteses de borracha ou espuma eram utilizadas.

Salada de Cinema

Embora hoje o filme não arrepie um fio de cabelo sequer, Frankenstein foi uma experiência bastante impactante durante seu lançamento. Ninguém queria ouvir o som da terra batendo no caixão enquanto o coveiro enterrava um cadáver. Ninguém queria ver um corpo enforcado em um poste. Ninguém queria testemunhar uma criança se afogando em um rio. Eram cenas muito gráficas e perturbadoras para os anos 1930. Imagina então se o público da época assistisse a um Jogos Mortais?

O MONSTRO AO LUAR

Salada de Cinema

Se Drácula abriu as portas para histórias assustadoras e a herança de Frankenstein foi provar que uma boa maquiagem era imprescindível para um conto de horror, o caminho natural era investir em um projeto que exigisse um trabalho de caracterização ainda mais radical. E foi assim que a Universal desembocou em O Lobisomem, de 1941. O filme marcou o início das próteses de borracha nos monstros da Universal e a grande sacada do maquiador Jack Pierce foi optar por pequenas peças que sugeriam a cara e o focinho de um lobo, mas que deixavam livre boa parte do rosto do ator Lon Chaney Jr., que podia expressar toda a fúria do personagem.

Para embasar o trabalho de caracterização e elevar o homem lobo ao patamar dos outros monstros, a decisão do estúdio foi preencher a lenda com elementos tirados da tragédia grega. Cada cena é um prenúncio de mau agouro: o protagonista ouve três vezes o mesmo poema sobre lobisomens, compra uma bengala com um lobo de prata na ponta, ganha um colar de pentagrama – sinal que o lobisomem enxerga na mão de sua próxima vítima – e colhe no pântano flores mata-lobos… Junte este destino à identificação com a história de um homem que tem sua vida virada de ponta-cabeça do dia para a noite e o resultado foi um estouro de bilheteria. E mais: mesmo competindo com outros monstros de tradição literária, O Lobisomem se tornou o monstro mais humano da Universal, aquele que poderia ser qualquer um de nós.

Ou seja, depois desta coluna, você vai poder escolher sua fantasia de Halloween tanto pela facilidade de improvisar uma roupa quanto pela personalidade monstruosa com quem você mais se identifica.

Studio na Colab55
Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

Veja todos os posts de Will Poliveri
Comentários
Follow my blog with Bloglovin