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cine mundo: Venezuela, entre vaias e prêmios

por Caio Cesar comentários

Não precisamos ir muito longe para encontrar boas produções cinematográficas. Não! Não estou falando da Argentina. Nosso vizinho tem uma extensa lista de bons filmes, inclusive com vários filmes premiados. Mas hoje eu quero falar de um filme venezuelano que colocou o país de volta no mapa das premiações mundiais, Desde Allá ou, como preferem os brasileiros, Te Observo de Longe.

Dirigido por Lorenzo Vigas, Desde Allá foi vaiado a ser anunciado como vencedor do Festival de Veneza de 2015 e Alfonso Cuarón, presidente do júri, acusado de ter favorecido o filme por ser uma produção latino-americana. Contudo, além de vencedor no Festival de Veneza, Desde Allá poderá levar a mais famosa estatueta em 2017, pois foi escolhido para representar a Venezuela na 89ª edição do Oscar.

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O filme traz a história de Armando (Alfredo Castro), um fabricante de próteses dentárias que pertence à classe alta de Caracas, mas escolhe viver em um bairro de classe média baixa. Armando é o típico gay no armário que usa o dinheiro para atrair jovens homens da vizinhança para a sua casa. Por ter problemas com a própria aceitação, ele apenas observa à distância os jovens, não conversa e não os toca.

O personagem de Armando carrega as cicatrizes de uma infância conturbada e tudo piora quando ele recebe a notícia que o pai estava de volta à Caracas. Mas o enredo principal gira em torno de umas dessas relações que o protagonista estabelece com um dos jovens que frequenta sua casa, Elder (Luis Silva) de dezessete anos de idade.

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No início a relação é apenas um negócio, Armando oferece dinheiro em troca de poder observar Elder. Mas ao decorrer da trama a relação torna-se mais íntima, gerando atritos entre os dois, pois ambos não estão preparados para lidar com esse sentimento. Em alguns momentos o telespectador pode perceber uma relação paternal entre os dois homens, que logo se transforma em uma relação predatória e poucas vezes física. A incógnita desse relacionamento permeia o longa até os minutos finais quando o desfecho inesperado revela o limite que um dos personagens poderia chegar.

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Caio Cesar
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"Filme grego de novo, Caio?" Sim, eu sou desses mesmo. Um curioso definitivo pelo cinema. Se não for grego, vai ser tcheco, japonês, italiano ou francês, e se reclamar, vai ser iraniano! Pra mim, cinema é espelho, retrato e sequela.

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