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cine música: Especial Woody Allen: Faça o que sabe, ame o que faz

por Camila de Lira comentários
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(Este texto é a primeira parte de um especial de três textos sobre trilhas sonoras de filmes do Woody Allen)

Na sala, ele colocou o primeiro DVD de uma coletânea sobre história do jazz para embalar o começo de chuva de domingo no novo apartamento, no centro de São Paulo. Os acordes nostálgicos de um saxofone ritmado chegaram à cozinha, onde sua namorada preparava o lanche-jantar. Curiosa, ela pergunta, em voz alta:

– Qual filme do Woody Allen colocou dessa vez?

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Muito além dos personagens desajeitados, das historias absurdas – e verdadeiras, das coincidências bem humoradas, do estilo conciso, as músicas dos filmes de Woody Allen são uma excelente forma de diferenciar as películas do diretor de outras.

Independentemente de épocas em que se passam as histórias, Allen sempre dá um jeito de colocar um acorde de jazz clássico, dos anos 1920 ou 1930. Como no seu clássico “Manhattan”, quando, logo de cara, o narrador – com a voz do próprio diretor, outro padrão da maioria dos seus filmes – fala “Nova York tinha o som de George Gershwin”. E assim é durante toda a película. Em “Meia-noite em Paris”, os acordes de Sidney Bechet dão as cores para os passeios pelas ruas da capital francesa do início do século.

Alucinado por jazz, Woody Allen toca clarinete numa banda com quem se apresentou em alguns – muitos – shows e festivais. O diretor, na verdade, conheceu os palcos antes de iniciar sua carreira com câmeras e roteiros. Woody faz questão de escolher as músicas de seus filmes pessoalmente, uma por uma.

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Uma das coisas que fazem os filmes de Woody Allen tão prazerosos de se assistir é exatamente esse…talento do diretor em trabalhar apenas com aquilo que gosta; de certa forma, isso transparece autenticidade para o espectador. Com mais de 40 filmes em sua carreira, Woody Allen tem o dom de sempre parecer novo em cada obra que lança, religiosamente, uma vez por ano.
Mesmo repetindo músicas em suas trilhas, e com um padrão bastante parecido, elas sempre estão adequadas aos filmes, sempre soam como originais. Minha teoria é que, quando se faz o que sabe, e, principalmente, quando se coloca o que gosta naquilo que você faz, os resultados tendem a ser sempre assim: como se tivessem acabado de sair do fogo, como os pastéis da garota no apartamento do centro, naquela tarde de domingo chuvosa.

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Camila de Lira
Camila de Lira

Jornalista formada pela USP, é cinéfila desde os 4 anos de idade, quando assistia a filmes da Disney, da Turma da Mônica e de Chaplin.Sonha em acordar num musical ou em um filme de Fellini ou num clipe de David Fincher.

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