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cine clássicos: RIP Willy Wonka!

por Will Poliveri comentários
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Oi, saladinos! Quando a morte de Gene Wilder tomou conta das redes sociais, foi como se um amigo de infância tivesse partido. Perdi as contas de quantas vezes vi A Fantástica Fábrica de Chocolate! O mais curioso é que ao mesmo tempo em que eu ficava fascinado pelos Oompa Loompas, também lembro de sentir um medo enorme da ambiguidade de Willy Wonka. E para tornar tudo ainda mais doloroso, a despedida de Gene Wilder acontece justamente no aniversário de 45 anos do longa metragem.

Ator, roteirista e diretor, Wilder teve uma trajetória repleta de clássicos. Seu primeiro grande papel foi na comédia Primavera Para Hitler, com uma interpretação tão ingênua e inocente que lhe garantiu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1969. Já em 1972, foi dirigido por Woody Allen em Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo (Mas Tinha Medo de Perguntar). Três anos depois, retornou novamente a prêmio da Academia graças ao roteiro de O Jovem Frankenstein, mas era de A Fantástica Fábrica de Chocolate que Wilder não conseguia (e nem queria!) se desvencilhar.

TORNANDO-SE WILLY WONKA!

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Sua escalação para Willy Wonka é um daqueles típicos casos de destino. Por mais que seja impossível desvencilhar o confeiteiro maluco de sua imagem, o ator não era nem de perto a primeira opção para o papel. Wonka vagou entre Fred Astaire, Peter Sellers e até entre os membros do Monty Python. Porém, quando bateu à porta de Wilder, foi amor à primeira vista: ele dominava com maestria a veia irônica, sarcástica e demoníaca que o diretor Mel Stuart procurava para o personagem.

Com o papel na mão, Gene Wilder trouxe várias contribuições para o processo criativo de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Por exemplo, sua única exigência para assinar o contrato era de que a primeira aparição de Willy Wonka acontecesse como vemos na tela: ele entraria mancando, sua bengala ficaria presa em um paralelepípedo e, antes de cair no chão, ele daria uma cambalhota para mostrar que era tudo fingimento. Na visão do ator, isto faria o público questionar todas as ações do personagem desde o início, sem conseguir identificar se ele dizia a verdade ou se era um grande mentiroso.

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Outra contribuição significativa de Wilder foi ajudar o diretor Mel Stuart a tirar a melhor atuação possível das crianças. Em várias ocasiões, eles combinavam as cenas em segredo e escondiam detalhes na hora do ensaio. Assim, o elenco infantil era surpreendido durante a filmagem e entregava reações muito mais espontâneas. Um exemplo é a loucura de Willy Wonka durante a viagem de barco psicodélica. Gene Wilder estava tão fora de si durante a cena que as crianças se assustaram de verdade, deixando aflorar um medo real daquela situação.

UM LEGADO DE PURA IMAGINAÇÃO!

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Ainda que o filme não tenha se sido um sucesso instantâneo na época de seu lançamento, sua popularidade cresceu muito ao longo dos anos por causa das exibições na TV. Tanto que muitos cinéfilos – eu, inclusive – consideram o longa como O Mágico de Oz desta geração! Tamanha fascinação não escapou a Gene Wilder, que tinha plena noção desta responsabilidade. Foi por causa dela, aliás, que o ator se tornou recluso em seus últimos anos de vida e decidiu não contar que enfrentava a doença de Alzheimer.

No comunicado enviado à imprensa após a morte do ator, sua família deixa claro que Wilder não queria estragar o legado do personagem. “Ele não queria que as crianças que sorriram ou o chamaram de ‘Willy Wonka’ fossem expostas à doença e nem que essa alegria se transformasse em preocupação. Ele não aguentava a ideia de ver um sorriso a menos no mundo”, diz o texto.

Então, pode ficar tranquilo, Gene Wilder! No que depender da gente, Willy Wonka vai pra sempre despertar os nossos melhores sorrisos e nos levar para um mundo de pura imaginação!

Studio na Colab55
Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

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