Salada de Cinema

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Hector Babenco

por Eric P. Sukys comentários

Nome: Hector Babenco.
Nascimento: 7 de fevereiro de 1946, em Mar Del Plata, Argentina.
Falecimento: 13 de julho de 2016, em São Paulo.
Três filmes essenciais: Pixote: A Lei do Mais Fraco (1981), O Beijo da Mulher Aranha (1985) e Carandiru (2003).

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O último filme de Hector Babenco foi “Meu Amigo Hindu”, de 2015, que dialoga com sua vida pessoal. Um de seus estandartes é a dolorosa luta contra o câncer. Na trama, Diego, vivido por Willem Dafoe, é diagnosticado com câncer terminal e se submete a um transplante de medula óssea experimental. Durante o tratamento, nos Estados Unidos, conhece um garoto hindu que o ajuda a se sentir menos solitário. Na vida real, o diretor argentino naturalizado brasileiro teve um linfoma nos anos 90. A ficção também foi uma maneira de revisitar o passado obscuro a fim de encarar seu sofrimento de cabeça erguida.

Em entrevista ao UOL Entretenimento no mesmo ano, afirmou: “depois de ser muito assediado pela ideia de fim, meu único pedido à morte era que ela me deixasse fazer mais um filme. E esse é o filme que a morte me deixou fazer”. Um ano depois, em julho de 2016, a morte veio cobrar a dívida. Estava internado há dois dias para tratar uma sinusite quando sofreu uma parada cardiorrespiratória. Deixou a esposa, Bárbara Paz, além de duas filhas e dois netos.

O cineasta deixou também um legado de importância inquestionável para o cinema brasileiro e mundial. Entre seus acertos, podemos destacar “O Beijo da Mulher Aranha”, de 85, e “Carandiru”, de 2003. O primeiro foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor e garantiu a estatueta de Melhor Ator para William Hurt. O segundo, baseado em livro de Dráuzio Varella, alavancou a carreira dos incríveis Wagner Moura, Lázaro Ramos e Caio Blat.

Sua fama internacional o levou a conduzir astros como Jack Nicholson e Meryl Streep, em “Ironweed”, de 87. Para os curiosos, há bastante informação sobre essa experiência no livro “Jack’s Life: A Biography of Jack Nicholson”. Com citações do próprio Babenco, descobrimos, por exemplo, que Meryl sempre vinha encarnada no personagem para o set, irritando-se quando alguém tentava puxar conversa fiada com ela. Já Jack, por sua vez, entrava no personagem posteriormente, aproveitando sensações do ambiente e instantâneas para construir seu mundo.

O renome alcançado por Babenco foi resultado de muito esforço e coragem. Quando se estabeleceu em São Paulo aos 19 anos, vendia enciclopédias e túmulos para pagar as contas. Além disso, era fotógrafo de restaurantes, sempre munido de uma máquina polaroide. Seu primeiro longa foi “O Rei da Noite”, de 1975, com a presença de Paulo José e Marília Pêra no elenco. Na década de 80, a atriz voltou a trabalhar com Hector no transgressor “Pixote: A Lei do Mais Fraco”. Em uma cena simbólica, Marília, que interpreta uma prostituta, dá de mamar ao garoto de rua que dá título ao filme (vivido por Fernando Ramos da Silva).

Sem sombra de dúvida, e sem entrar em clichês, Hector Babenco está consagrado no Hall da Fama do cinema brasileiro.

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Eric P. Sukys é jornalista e se entregou à sétima arte após crises existenciais. Atualmente, sua dieta básica consiste na Era de Ouro de Hollywood, Nouvelle Vague, filmes trash e cinema independente.

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