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cine reflexão: Os filmes argentinos

por Paula Lopes comentários
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Dia desses assisti a “Truman”, filme de Cesc Gay protagonizado por Ricardo Darín e Javier Cámara. Eu obviamente me interessaria pelo filme, pois ele traz de forma muito expressiva a relação de um homem e seu cachorro.

Basicamente, o filme apresenta a visita de um amigo de infância que mora no Canadá ao seu amigo que mora na Espanha e que se encontra em estado terminal de câncer. A beira da morte, o personagem interpretado por Darín se mostra bastante compreensivo com relação ao seu destino, exceto por um ponto: com quem ele deixaria seu cachorro, o Truman, após a sua morte?

No desenrolar do filme, no entanto, percebe-se a introdução de diversos temas de conflito e de interesses entre os amigos e outros personagens que vão surgindo na obra. São questões profundas, mas tratadas com tranquilidade, que envolvem as resoluções de um alguém que desistiu de lutar por algo de que jamais poderia vencer: a morte.

Foi assim, assistindo a “Truman”, que comecei a pensar sobre a qualidade dos filmes argentinos (ou com algum envolvimento do país); afinal, este era para ser um longa de extrema simplicidade – que se tratado por mãos erradas, viraria um pastelão.

Indo a fundo podemos perceber que a grande vitória dos filmes argentinos não está na direção e na atuação (apesar de exemplares), ou no enredo e na fotografia. O que existe nos filmes argentinos é uma capacidade clara de entendimento da alma humana e a codificação dela para um roteiro profundo e certeiro.

Ficamos impressionados com os longas da Argentina porque, frequentemente, eles atingem nossos defeitos e erros, além de nossa capacidade intrínseca de sermos humanos bons, mesmo em tempos de adversidade.

Veja, por exemplo, em “Relatos Selvagens”, filme de humor em que nosso lado mais agressivo é escancarado para as câmeras. Ou reflita sobre “Medianeras”, quando nossas relações são colocadas em cheque frente à era digital. Por fim, pense em “O Segredo dos Seus Olhos”, em que o bem e o mal do ser humano caminham de mãos dadas na solução de um crime.

São todos filmes de histórias simples, mas contados com a segurança de quem conhece o seu espectador, bem como suas dores e alegrias.

É, amigos, podemos até não gostar dos Hermanos em outras searas, mas a realidade é que de filmes e da humanidade eles entendem melhor que nós.

Studio na Colab55
Paula Lopes
Paula Lopes

Manteiga derretida incurável, ainda acredita nos Jeff Daniels que saem das telas para as Cecílias da vida real.

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