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cine clássicos: Rebelde Para Sempre

por Will Poliveri comentários
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Oi, saladinos! Se a paixão pela velocidade não tivesse colocado um fim na carreira de James Dean em 1955, 2016 seria o ano em que o ator completaria 85 anos. Mas mesmo sem aquele trágico acidente aos 24 anos de idade, é bem provável que o rebelde mais icônico do cinema não estivesse aqui para ser homenageado. Vivendo intensamente como Dean vivia, a bebida e o cigarro certamente teriam sido tão fatais quanto as rodovias. No entanto, mesmo com a morte prematura, é incrível como James Dean deixou seu nome gravado para a posteridade. Foram apenas três filmes, dois deles lançados apenas depois de sua morte, mas suficientes para alçá-lo ao posto de ícone cultural. Então se existe um jeito de homenageá-lo, é buscando sua filmografia.

São três dramas. Três clássicos. Três obras-primas daquele que, talvez, seja o último grande mito que o cinema conseguiu produzir.

VIDAS AMARGAS

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Vidas Amargas foi o único de seus filmes que James Dean viu estrear. Depois de participações em programas de TV, peças de teatro e pontas no cinema (muitas delas não creditadas), foi a primeira vez que ele assumiu o posto de protagonista.

O roteiro é uma reinterpretação da história de Caim e Abel, o clássico drama de um pai com dois filhos opostos: Cal (vivido por James Dean), o rebelde, difícil e desobediente, e Aron, o bondoso, amoroso e ajuizado. Para dirigir o ator na jornada emocional do papel, o diretor Elia Kazan trabalhou toda a raiva que Dean guardava da relação frustrada com o pai. Com tanto ressentimento, a entrega do ator era tão intensa que ele frequentemente desabava no set de filmagem. Em algumas ocasiões, James Dean ficava tão vulnerábel que se retirava do set e chorava por 4 horas em seu trailer.

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Mas apesar de intensa, a atuação de Dean foi acolhida pela crítica com sentimentos mistos. Enquanto alguns louvavam sua interpretação visceral, outros apontavam a performance como uma imitação de Marlon Brando. Somente após sua morte (e com seus três filmes já lançados) é que os críticos passaram a creditar Vidas Amargas como seu melhor trabalho.

Outro reconhecimento tardio veio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Falecido em setembro de 1955, Dean foi indicado ao Oscar de Melhor Ator no início de 1956, a primeira vez em que a Academia concedeu uma indicação póstuma. Um marco que, com certeza, colaborou e muito para construir o mito em torno dele.

JUVENTUDE TRANSVIADA

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Ainda que todos os filmes de James Dean tenham relação com a rebeldia juvenil, é o personagem de Juventude Transviada que concentra as características que seu mito incorporou. E o fato de o filme ter estreado apenas uma semana após sua morte foi fundamental para que a comoção se transformasse em reverência.

Mais do que um filme, Juventude Transviada é praticamente um documento histórico sobre a adolescência americana na década de 1950. É o registro de três adolescentes de classe média com famílias completamente disfuncionais, que encontram um no outro a compreensão que lhes falta em casa, mas que não conseguem escapar da tragédia que os ronda.

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Dizer, porém, que Juventude Transviada só alcançou o Olimpo por ter sido lançado no vácuo da morte de James Dean seria injusto. Dean é o centro das atenções do começo ao fim, é o pólo dramático ao redor do qual todos os conflitos orbitam. Sua presença na tela é tão magnética que se torna impossível tirar os olhos de seu personagem, não se envolver no turbilhão a que ele nos conduz e não perceber como todas as suas cenas soam sofridas, intensas, dolorosas e trágicas. O filme pode ter envelhecido mal nestes 60 anos, mas ainda assim incomoda.

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

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Dos três filmes de James Dean, é o com mais ar de superprodução. Não bastasse estar em um dos papéis principais, o rebelde ainda divide a tela com Elizabeth Taylor e Rock Hudson, dois patrimônios do cinema que, pelo menos até aquele momento, eram muito mais consagrados do que ele (durante as filmagens, apenas Vidas Amargas já havia estreado e Juventude Transviada ainda estava em pós-produção).

Como todo épico, Assim Caminha a Humanidade assusta pela extensão: são mais de três horas de filme. O roteiro basicamente gira em torno de uma poderosa família texana que precisa lidar com a descoberta de petróleo e com a discriminação étnica, social e de gênero. O principal destaque, no entanto, vem do conflito entre um trabalhador rural que enriquece após encontrar petróleo (o personagem de James Dean) e a família que ele jurou superar. É desse arco dramático, inclusive, que surge uma das cenas mais emblemáticas do filme: James Dean completamente sujo de petróleo enfrentando a família Benedict.

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Dean faleceu apenas uma semana após filmar sua última cena e, por isso, Assim Caminha a Humanidade é o registro derradeiro de um astro que partiu cedo demais. Uma pena que, lançado um ano após sua morte, muitos críticos o considerem seu filme mais fraco. Ainda que tenha lhe rendido uma segunda indicação póstuma ao Oscar de Melhor Ator, em 1957, infelizmente James Dean não teve a chance de nos provar que seu próximo papel seria melhor. No lugar disso, sobraram apenas a nostalgia e a imagem de um ator que será rebelde e jovem para sempre.

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Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

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