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cine clássicos: Sessão Catarse

por Will Poliveri comentários
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Oi, saladinos! Tenho certeza absoluta de que você gastou muitas tardes de julho, dezembro e janeiro assistindo a filmes clássicos e nem percebeu! Isso porque era só chegar as férias escolares que toda criança, sem nada pra fazer, passava horas e horas vendo Sessão da Tarde.

Criada em 1974, o programa vespertino da Globo mudou bastante desde sua criação. Até os anos 1990, era um horário dedicado especialmente a produções dos anos 1950 e 1960. A partir dali, porém, a Sessão da Tarde ganhou cores mais populares e se concentrou em romances, comédias e filmes de temática infanto-juvenil. E se esse repertório já não era lá tão qualificado assim, ele diminuiu ainda mais depois que a classificação indicativa apertou nos anos 2000 e basicamente só restaram os filmes família de classificação livre.

Isso quer dizer que o atual catálogo da Sessão da Tarde não seja recheado de clássicos? Negativo! Mesmo que a grande maioria não tenha validação artística da Academia, muitas destas atrações podem ser consideradas clássicas por causa de um aspecto importantíssimo para a sétima arte: seu valor emocional. Ainda que sejam narrativas simples, apoiadas em fórmulas bastante clichês e convencionais, elas possuem cenas tão nostálgicas que conseguem provocar nossa catarse mesmo picotadas entre os intervalos comercial.

Por isso, eu resolvi relembrar três cenas da Sessão da Tarde com poderosas catarses emocionais. São filmes que, por si só, têm gosto de férias, que você encararia todas as vezes possíveis e que, mesmo revendo pela centésima vez, ainda mexem com as nossas emoções mais primárias.

DE REPENTE 30

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O filme estrelado por Jennifer Garner certamente passaria longe de qualquer lista do Oscar. Não tem uma fotografia exemplar. Não possui atuações inesquecíveis. Dá até pra dizer que lhe falta até originalidade, já que é basicamente a versão feminina de Quero Ser Grande (que, diga-se de passagem, também podia estar nesta lista graças à cena do piano gigante). Mas, mesmo assim, De Repente 30 toca o coração mole da audiência da Sessão da Tarde ao apostar em uma fábula sobre a passagem da infância para a vida adulta.

Imagine que, do dia para a noite, você saia dos 13 direto para os 30 anos. E pior: perceba que se tornou uma pessoa bem diferente daquela que você sonhava ser. Como voltar pro caminho certo? Como recuperar o que ficou pelo caminho? É aquela clássica história do herói precisando reencontrar a si mesmo.

Não à toa, a cena mais lembrada do filme fala do embate entre inocência e maturidade. Basta tocar Thriller, do Michael Jackson, para todos os adultos bem sucedidos perderem a vergonha e nós, espectadores, lembrarmos que a juventude sempre estará dentro de nós mesmos.

CURTINDO A VIDA ADOIDADO

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O filme acaba de completar 30 anos, continua divertido e é aclamado pela crítica cinematográfica como um dos melhores filmes adolescentes de todos os tempos. Dá pra pedir mais de um clássico da Sessão da Tarde? Dá! Curtindo A Vida Adoidado é o dia dos sonhos de qualquer pessoa: fugir de todos os compromissos para aproveitar um dia de sol.

Apesar de a trajetória de Ferris e seus amigos ter uma forte ligação com o sentimento de rebeldia da adolescência, Curtindo A Vida Adoidado laça o coração da plateia da Sessão da Tarde com uma mensagem certeira e universal: a ideia de que cada minuto da vida é único e deve ser aproveitado intensamente. E o exemplo maior desse pensamento está na cena mais catártica do filme: a parada.

Você tem festa. Alegria. Beatles. Pessoas dançando. Multidão. E no centro de tudo a figura tão comum de Ferris, o maestro da festa não por ser o mais bonito ou o mais rico, mas pela forma como assume as rédeas da própria vida e faz o possível para que cada minuto seja inesquecível sobretudo para si mesmo. A alegria das pessoas ao redor dele só mostram como esta forma de viver é contagiante!

DIRTY DANCING – RITMO QUENTE

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Eis um clássico da Sessão da Tarde ganhador de Oscar (no caso, o de Melhor Canção Original)! Dirty Dancing é aquele filme que, se você olhar apenas a sinopse, provavelmente vai torcer o nariz. E digo isso com conhecimento de causa, pois levei anos para me render ao romance musical protagonizado por Patrick Swayze e Jennifer Grey.

Além do tradicional relacionamento proibido entre pessoas de classes sociais distintas, Dirty Dancing contém um componente universal que faz qualquer telespectador da Sessão da Tarde comprar a história até o crédito final: a protagonista precisa provar que é capaz de realizar uma tarefa. No caso, dançar tão bem quanto seu instrutor e substituir sua companheira de salão que engravidou.

Nada mais natural, portanto, que a cena mais catártica do filme seja a coreografia final. Ali, naqueles seis minutos, após tantos desdobramentos, não se trata mais apenas de acertar os passos, de superar o nervosismo, de conquistar uma plateia indócil, de esfregar na cara de todos um amor que tentou ser silenciado. Ali é uma questão de honra! Quando Baby salta para a glória e paira nos braços de Johnny, é a completa implosão do status quo daquele resort, a libertação das amarras que acorrentam aquelas pessoas. Diz que não é uma mensagem poderosíssima para um filme da Sessão da Tarde?!

E você, tem outras cenas catárticas da Sessão da Tarde pra relembrar com a gente? Então aproveita o espaço de comentários aqui embaixo e me conta quem também merecia estar nesta lista!

Studio na Colab55
Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

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