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cine clássicos: O rei do verão americano

por Will Poliveri comentários

Quem acompanha cinema, sabe que o verão americano é a época mais esperada em Hollywood. É entre maio e agosto que desembarcam nos cinemas aquelas megaproduções lotadas de efeitos especiais, capazes de arrebanhar milhões de espectadores e de encher os cofres dos estúdios para compensar os fracassos acumulados durante o ano.

Justamente por esse apelo popular, poucos são os filmes que conseguem unir sucesso comercial e primor cinematográfico. Para cada Mad Max: Estrada da Fúria, existem pelo menos 7 Velozes e Furiosos e mais 4 Transformers. E se a gente pensar quantos destes blockbusters se tornaram clássicos, a proporção é ainda infinitamente menor!

Por isso, é impressionante constatar que o verão americano tem um rei. E ele atende pelo nome de Steven Spielberg!

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Em pelo menos três ocasiões, Spielberg fez seus filmes-pipoca saírem dos cinemas direto para o olimpo de Hollywood – e olha que nem estou contando obras sérias, como O Resgate do Soldado Ryan, ou sucessos que ele produziu (como De Volta Para o Futuro). São três clássicos do puro entretenimento. Pode até pedir música no Fantástico!

JURASSIC PARK – O PARQUE DOS DINOSSAUROS

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Se pra nós, espectadores, Jurassic Park já é um escapismo incrível, imagine como deve ter sido para o próprio Spielberg, que editou o filme enquanto filmava A Lista de Schindler? Além de tornar dinossauros cool, a aventura sobre a ilha na qual seres jurássicos são trazidos de volta à vida deu início a uma nova era de efeitos especiais, tornando a computação gráfica a maior potência dos blockbusters hollywoodianos.

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Não que Spielberg tenha sido o primeiro a criar efeitos especiais por computador. Isso já era feito desde Star Wars – Uma Nova Esperança (em 1977), mas essa tecnologia ganhou uma nova escala em 1993 ao recriar todos os dinossauros em detalhes e de forma realista. Uma visão criativa tão poderosa que influenciou todos os monstros que vieram depois, de King Kong a Godzilla.

Aclamado pela crítica e pelo público, Jurassic Park é daqueles filmes que não parecem que foram feitos há tanto tempo. Mais de 20 anos após seu lançamento, ele ainda prende o espectador pela qualidade dos efeitos visuais e pelo ritmo incessante da ação. São duas horas nas quais Spielberg intercala sequências clássicas, que transmitem o medo real de se tornar presa de predadores quase invencíveis.

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Ainda que alguns acusem o filme de dar mais importância à ação do que ao desenvolvimento dos personagens, Jurassic Park é aquele blockbuster para sentir, não para racionalizar. Além de ser, nas entrelinhas, uma boa parábola sobre o que pode acontecer quando o homem assume o papel de Deus.

E.T. – O EXTRATERRESTRE

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Não bastava trazer alienígenas ao cinema em Contatos Imediatos de Terceiro Grau (de 1977): Spielberg queria que nos apaixonássemos por um deles. E foi o que aconteceu com E.T., em 1982. Só amor explica o filme custar 10 milhões de dólares e lucrar 800 milhões no mundo inteiro (metade disso, só nos EUA).

Olhando para E.T., é fácil listar porque o longa é um clássico instantâneo. Pegue uma criança solitária que encontra um alienígena fofinho. Junte a amizade que se estabelece entre eles e a saudade que o E.T. sente de casa. Acrescente uma boa dose de inocência infantil e a jornada para evitar que este amigo intergaláctico seja capturado pelo governo. Ou seja, são elementos extremamente universais!

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Um filme que transborda tanto sentimento só podia ter surgido de uma experiência real: Spielberg contou várias vezes que, após o divórcio de seus pais, inventou um amigo alienígena imaginário que lhe fez companhia durante muito tempo. A sacada do diretor foi misturar esta vivência pessoal com a magia das fábulas da Disney, criando um longa-metragen com pequenos sentimentos em cada cena. No conjunto, é uma sucessão de identificações emocionais às quais nenhuma criança ou adulto consegue escapar.

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E.T. comprovou o talento de Spielberg não apenas como criador de imagens memoráveis (nenhuma delas mais icônica do que a bicicleta voadora), mas também como um excelente diretor de atores. Sua decisão de filmar as cenas na ordem cronológica para captar o envolvimento autêntico do elenco infantil demonstra um cineasta maduro e consciente de que o esplendor técnico nunca vai dar preencher a lacuna emocional de uma boa história.

TUBARÃO

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Se Spielberg transformou E.T. e Jurassic Park em clássicos, foi porque um dia ele colocou as mãos em Tubarão. Uma estreia arrebatadora para um diretor que já produzia telefilmes e que estabeleceu o dia 20 de junho de 1975 – a data de lançamento do filme – como o marco zero dos blockbusters de verão.

Tubarão não é apenas o conto de terror que fez muita gente ter medo de entrar no mar, mas também o jeito de planejar um longa. Antes dele, as produções estreavam em Los Angeles e Nova York e, a partir daí, lentamente adentravam para o interior dos EUA. A partir de Tubarão, os arrasa-quarteirões passaram a ser lançados simultaneamente em todas as cidades e com uma pesada campanha de marketing, se tornando facilmente o assunto – ou o pânico – do país inteiro. Um modelo que perdura até hoje, em escala muito mais megalomaníaca e global.

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E não é só por causa do impacto sobre a indústria que Tubarão é tão relevante na filmografia de Spielberg. Enquanto experiência cinematográfica, o filme é cirúrgico nas emoções que provoca na plateia. É uma junção de diálogos inspirados, suspense crescente, atuações regulares de todo o elenco e uma câmera que se move como um animal predador pronto para dar o bote. E o fato de que o tubarão assassino não dá as caras em dois terços do filme realça um componente psicológico difícil de afastar da memória. Vale lembrar que o animal permanece escondido por tanto tempo porque o diretor ficou insatisfeito com versão mecânica do predador e decidiu usá-la apenas no clímax da narrativa.

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Depois de Tubarão, surgiram muitas piranhas, crocodilos e anacondas assassinas. Mas nenhum deles amedrontou tanto o cinema quanto a obra-prima do rei do verão.

Studio na Colab55
Will Poliveri
Will Poliveri

Jornalista e roteirista, viu Titanic 7 vezes no cinema. É fã do Batman (até nos filmes do Joel Schumacher) e canta na rua quando chove. Colecionador compulsivo, tem mais de 500 filmes na estante.

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