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cine sexo: Sexo em tempos de impeachment

por Reinaldo Glioche comentários
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Estava cá, só, em um domingo calorento pensando sobre o que escrever para a coluna desta semana quando me peguei pensando nos últimos temas. Falei sobre nossa caretice com o sexo no cinema, depois abordei a liberdade com que o tema vem sendo urdido na televisão. Pensei comigo: tem uma corrente aí. Como sacramentaram brilhantemente Wes Craven e Kevin Williamson na quadrilogia “Pânico”, as grandes histórias veem em três partes no cinema. Coincidentemente, me descobri construindo um raciocínio sobre o status do sexo no cinema contemporâneo em três partes.

Minha provocação de momento é se temos ao menos legitimidade para postular uma revisão de como as coisas andam sendo feitas atualmente. Complico, antes de simplificar. Li uma matéria muito boa e muito recomendável na The Economist recentemente que discutia a transformação pela qual passa o movimento feminista. O feminismo, para quem não estava no planeta Terra recentemente, é uma das vozes das minorias mais ressonante na atualidade. A matéria iluminava uma discordância profunda entre as feministas de ontem e as de hoje. Para as mais velhas, a objetificação da mulher é agressiva e deve ser combatida com todas as forças. Para as mais novas, é um sinal indelével de empoderamento e deve ser protegida como uma escolha individual.

Mais: a reação à correção política que vemos ganhar espaço cada vez mais em nossa sociedade é um assalto despudorado de uma onda conservadora. Isso pode ser visto tanto na nossa política, no Congresso cheio de figuras folclóricas como Bolsonaro, a bancada da bala e a bancada evangélica, como na ascensão desgovernada de Donald Trump nas eleições primárias nos EUA. A polarização parece maior do que nunca e o meio-termo, mais distante do que o desejável.

São sintomas de um momento cultural delicado na história da humanidade. Como isso se relaciona com a abordagem do sexo no cinema? Em tempos menos difusos e de liberdade mais tangível, o cinema já enfrentava resistências diversas em abraçar o sexo de maneira desimpedida. Em um momento de tantos conflitos e incertezas (e eu só citei, por cima, alguns), me parece natural que uma indústria que movimente bilhões se torne ainda mais refratária a um tema tão sensível. O que não quer dizer que não estejam sendo produzidos bons filmes com sexo, sobre sexo e coisa e tal, mas a provocação é válida. É justo tanta reverberação – recalque, como preferem alguns – sendo que “we don´t have our shit together”? Um dos grandes méritos do cinema é sua capacidade de refletir nosso tempo e, no que tange o sexo, o reflexo parece cristalino. Será que vai rolar quadrilogia por aqui também?

Em tempo: “Pânico” é bem sexy, não é? Somos seres estranhos…

Studio na Colab55
Reinaldo Glioche
Reinaldo Glioche

Jornalista e cinéfilo, não necessariamente nesta ordem. Respira cinema, ama filmes e fala sobre tudo, mas no Salada escreve sobre sexo. Lembre-se: We´ll always have Paris

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