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cine teen: o que aprendemos com o Oscar 2016?

por Marcio Salles comentários

Sim, Leonardo DiCaprio ganhou sua tão esperada estatueta. Mas a festa deste ano mostrou mais do que isso, e agora podemos vislumbrar um futuro cinematográfico diferente do atual.

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A começar pelo grande vencedor da noite. E antes que você diga que “foi Spotlight que ganhou como Melhor Filme”, vamos avaliar bem os seis prêmios de Mad Max: edição, mixagem de som, edição de som, direção de arte, figurino e maquiagem. A academia deixou claro, aqui, que entende o blockbuster como uma obra de arte. Embora não seja melhor roteiro, ou mesmo elenco, é uma obra a ser reconhecida.

Mad Max é um daqueles filmes que, até pouco tempo atrás, passaria despercebido pelo júri. É um filme recheado de efeitos especiais, com muita ação e um elenco com poucos expoentes – com exceção, claro, da Furiosa (Charlize Theron) e do próprio Max (Tom Hardy). E embora seja muito bem feito do ponto de vista técnico, traz através de seu enredo algo muito maior: o feminismo. Premiar uma obra assim é, no mínimo, audacioso para uma tradicional academia.

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Outra surpresa também foi a estatueta de efeitos visuais abocanhada por Ex-Machina: Instinto Artificial, desbancando Star Wars e até Mad Max. Um filme britânico de ficção científica e suspense sobre um androide com inteligência artificial, e com um orçamento muito menor que seus concorrentes.

Alicia Vikander ganhou – merecidamente – a estátua de Melhor Atriz e confirmou o status de nova queridinha de Hollywood. O diretor Alejandro G. Iñárritu ganhou como Melhor Diretor em um feito inédito: o mexicano é o primeiro a levar a categoria de direção duas vezes consecutivas – em 2014 com “Birdman” e este ano com “O Regresso”.

O que tudo isso significa?

A academia está tentando mudar sua maneira de avaliar os melhores do ano. Leonardo DiCaprio, por exemplo, já merecia ter recebido tal reconhecimento por obras anteriores e finalmente saiu da geladeira dourada. Iñárritu merecia ganhar novamente – independente do fato de ter ganho ano passado – e foi contemplado de acordo. Mad Max, embora seja um blockbuster moderninho, é sim uma obra de arte e merece todas as estatuetas recebidas.

A festa, que sofria diversas acusações sobre a falta de diversidade, foi apresentada por um nada contido e sarcástico Chris Rock. E mesmo exagerando um pouco a dose em algumas piadas, não foi silenciado ou censurado. Pelo contrário, ele conseguiu levar a coisa da melhor maneira possível: apontou o erro da academia, brincou com o assunto, e deixou nítido que o Oscar aprendeu sua lição. Talvez do jeito mais difícil, com o dedo no fundo da ferida, mas aprendeu.

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Algumas coisas ainda não mudaram: filmes com temáticas muito controversas ainda não conseguiriam emplacar em categorias “primárias”, ficando ainda um pouco mais escondidos entre os Documentários, Curtas e Estrangeiros. Mas isso deve mudar: a consagração de Iñárritu e as indicações de Eddie Redmayne (no papel principal de “A Garota Dinamarquesa“) e do filme “Carol” já são um bom avanço.

O impacto sobre os novos expoentes

Tais resultados são animadores para novos atores e diretores. A academia levou um chacoalhão sobre a diversidade de pessoas e temas, e o horizonte parece estar mais claro para filmes mais audaciosos, tanto em relação aos formatos quanto na escalação de seus personagens.

O cinema está vivendo a mudança que a atual juventude traz diariamente para as redes sociais: discussões sobre assuntos relevantes, mudança de mentalidade e justiça social. Ainda falta muito para alcançarmos tudo isso, mas já é possível ver uma luz no fim do túnel.

E quem sabe este novo momento, mais justo e diverso, acabe virando moda e chegando nas terras tupiniquins, não é mesmo? Estamos precisando urgentemente de um concorrente para a Globo Filmes por aqui.

gloria

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Marcio Salles

Marcio Salles é apaixonado pelo cinema dos anos 50 e não resiste a um bom filme de super-herói ou de zumbis. No Cine Teen, explora a importância do gênero para a formação da cultura mundial.

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