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made for TV: Precisamos falar sobre o monopólio da HBO no Emmy

por Vito Antiquera comentários
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Cá estamos, uma semana após a premiação Emmy, o chamado do – Oscar da Televisão. Tantos são os meios de comunicação ruminando a grande vitória da HBO, e principalmente de Game of Thrones (GoT, para os íntimos) com suas históricas 12 estatuetas. Foram oito reconhecimentos técnicos e artísticos (merecidos) concedidos alguns dias antes da cerimônia, além dos prêmios considerados mais importantes: Melhor Ator Coadjuvante para o ótimo Peter Dinklage (em um ano que seu personagem não é nem sombra do grande potencial que já foi explorado na primeira temporada), Melhor Roteiro, Melhor Direção e o troféu mais Série cobiçado da noite – o de Melhor Série de Drama.

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É um feito para a HBO em si, e também para o reconhecimento do sucesso comercial sem precedentes que é GoT; de novo, a Academia estadunidense premia com atraso e bem longe de quando a série realmente merecia – sua primeira temporada, que levou somente o (justíssimo) troféu de atuação para o já citado Dinklage. O problema é que bater Mad Men em sua ótima última temporada, Better Call Saul em seu incrível primeiro ano – ou mesmo vencer os terceiros ciclos dos ótimos House of Cards e da dramédia Orange is the New Black já é um pouco demais, coleguinhas. Além disso, fazer história premiando fantasia como Melhor Série não pode ser o mesmo que entrar para a história desperdiçando prêmios de Melhor Roteiro (Mad Men, môres, é puramente enredo) e Melhor Direção (Better e House mereciam mais por tantos episódios que não vou nem listar). Vai entender esses prêmios de baciada quando ninguém precisa deles.

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Nas comédias, o “selo HBO” se faz mais justificado: VEEP ganhar como Melhor Comédia não é injusto, mesmo em um ano que não foi o melhor da serie – mas que, certamente, é uma temporada tão boa quanto qualquer uma de qualquer dos shows indicados; talvez os repetidos prêmios de Melhor Atriz para Julie e Melhor Ator Coadjuvante para Tony Hale sejam demais, mesmo que também sempre merecidos; não esqueçamos que tínhamos Amy Pohler na última temporada de Parks & Recreation (sem nunca ter levado, acreditem) e o hilário Tituss Burgess por Unbreakable Kimmy Schmidt – e ambos clamavam muito mais para levar as estatuetas pra casa do que seus colegas vencedores. Quando o Emmy tem que premiar TV aberta e conteúdo de streaming, acaba passando batido. De qualquer maneira, sei que estamos todos felizes que Modern Family deixou de ser a escolha do piloto automático da Academia – ainda mais quando poderia ter feito história no prêmio se ganhasse pelo sexto ano consecutivo, mesmo sem nem merecer os últimos quatro troféus que levou pra casa.

No entanto, o maior triunfo foi Olive Kitteridge – tanto que a quantidade de prêmios foi tão inesperada que deu até pra se surpreender com algumas categorias, trazendo de volta aquela sensação de que uma justiça quase divina realmente estava acontecendo. A estupenda – e, sem dúvidas, melhor da lista – minissérie da televisão abocanhou os prêmios de atuação principal para a indescritível Frances McDormand e para o sempre discreto e maravilhoso Richard Jenkins, além dos prêmios de “Melhor Serie Limitada”, Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante para Bill Murray. Foram seis prêmios em sete das categorias principais nas quais concorreu. O único prêmio que não levou foi uma surpresa – Regina King finalmente foi reconhecida como a grande atriz que é, levando o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por um personagem difícil em American Crime. Pura emoção, coleguinhas.

Falando em emoção, temos Viola premiada como Melhor Atriz em Drama por How To Get Away With Murder; o discurso de Miss Davis deixou ainda mais claro que premiações devem ser, sim, palcos para correções de injustiças históricas. Dar voz a uma força da natureza como Viola, concedendo-lhe o primeiro (e absurdamente demorado) prêmio de atuação principal de uma atriz afro-americana está longe de ser um erro – mesmo com Tatiana Maslany (Orphan Black) e Elisabeth Moss (Mad Man) nunca premiadas na categoria. É, sim, reconhecer que ela não só carrega aquela série teenager nas costas, mas constrói camadas humanas dignas de Eddie-Falco´n´Meryl-Streep way-of-acting. Assistam, mas o façam por Viola – e não vão se arrepender.

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Um feito histórico – talvez menor, mas não menos “vitória mais que merecida” – foi o prêmio de Melhor Ator de Drama para Jon Hamm, finalmente premiado pela última temporada de Mad Men. Dentre muitas correções de injustiças – merecidas ou não – Olive sai ilesa como ganhadora nova, fresca e merecedora em todas as categorias das quais saiu vencedora. Uma pequena pérola e a melhor coisa que a televisão estadunidense produz em algum tempo – e, quase como nunca acontece, com Emmys para contabilizar à sua listagem de prêmios. Temos que admitir que, ao final, este ano o Emmy acertou, meus amigos.

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Vito Antiquera
Vito Antiquera

Leonino godfatheriano, formado em Relações Internacionais e Economia, com quase vinte anos de olhos vidrados na telona - desde os áureos tempos em que, antes dos 6 anos, já obrigava a mãe a ditar Batman , de Tim Burton, por não ter sobrado nenhum VHS dublado na locadora.

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