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cine sexo: Ação!

Publicado em 20/08/2012 / Por: Reinaldo Glioche

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Rodar cenas de sexo, em essência, é algo complicado. Mas há diretores que conseguem descomplicar esse rito. Outros que contextualizam o sexo de tal maneira à trama, que os atores se sentem dramaticamente impelidos a se desnudarem em frente às câmeras. Exemplos de ambos os casos não faltam. Tanto nos bastidores quanto nos cortes finais.

Para rodar a comédia romântica apimentada “Amor e outras drogas” (2010), o diretor Edward Zwick, um neófito no gênero, admitiu ter se inspirado em filmes como “9 canções” (2004) e “Os sonhadores” (2003) para as cenas de sexo. Há muitas cenas de intimidade na história de duas pessoas que se envolvem sexualmente e acabam por se apaixonar. Os belos corpos de Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal ajudam a tornar tudo mais fotogênico. Os dois já haviam encenado cenas desajeitadas de sexo em “O segredo de Brokeback Mountain” (2005), quando o desejo do personagem de Gyllenhaal apontava para outro caminho. Zwick admitiu, à época do lançamento do filme, que instruiu seus protagonistas a assistirem “9 canções” e “Os sonhadores” para que tivessem uma melhor dimensão de como Zwick gostaria de capturar o sexo e a intimidade que dele advém em seu filme. Afinal, o mote do filme se construiria literalmente na cama.

Trabalhar com referências é parte do selo de qualidade que cineastas buscam insinuar para seus colaboradores.

O thriller erótico “Invasão de privacidade” (1993), que traz generosos closes do ato sexual entre a personagem de Sharon Stone e o enigmático personagem de Wiliam Baldwin é outro exemplo pródigo. Stone vinha do sucesso acachapante de “Instinto selvagem” (1992) e parecia que juntar sexo e Sharon Stone era receita para o sucesso de um longa-metragem. De fato, “Invasão de privacidade” fez boa bilheteria e rendeu burburinho e capas de revista, mas diferentemente do filme dirigido por Paul Verhoeven – um diretor com boa mão para gravar cenas de sexo – o filme dirigido por Phillip Noyce, hoje é lembrado como um bom Supercine – a sessão de cinema dos sábados à noite na Globo.

Isso ocorre não porque Noyce absteve-se de uma referência, mas porque se ateve inteiramente a ela. Não que “Invasão de privacidade” não provoque alguma excitação, mas parece um filme disposto apenas a isso. Nunca um bom sinal.

O remake brasileiro do chileno “Na cama” (2005) padece de uma sina parecida. “Entre lençóis” (2008) coloca Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira para fazer sexo e discutir questões existenciais. O que é incrivelmente sexy na versão chilena resulta em marasmo na fita brasileira dirigida pelo colombiano Gustavo Nieto Roa. Existe um pudor desleal com o espectador que parece estar assistindo uma novela das nove e não um filme imbuído de desmascarar seus personagens de corpo e alma à medida que a noite avança pela madrugada.

Como se percebe, as referências são cruciais para o sucesso ou fracasso de um filme que se escora em cenas de sexo. O segredo para dirimi-las está no feeling do diretor e no desprendimento cultivado nos protagonistas das cenas. Exibicionismo e pudor devem ser temperados com imaginação. Como em todo bom sexo.




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Comentários
  • PAULO CESAR SILVA

    Não acho que “9 canções” de Winterbottom sirva de inspiração, é um filme raso, que as relações sexuais explícitas não capturam sexualidade, e nem conseguem entrar no clima das canções da proposta.
    http://www.cineposforrest.blogspot.com