Salada de Cinema

Publicidade
Salada de Cinema/Especial

Adaptações Literárias – Clube da Luta

Publicado em 19/08/2012 / Por: Reinaldo Glioche

Chuck Palahniuk deve ser um cara com sérios problemas. Essa é uma das primeiras conclusões que se chega ao fim de Clube da luta, filme baseado em sua obra homônima. O livro, lançado originalmente em 1996 e que só chegou ao Brasil em 2000 – na esteira do sucesso do filme -, acabou de ganhar relançamento com nova tradução. Esse relançamento talvez esteja relacionado ao fato do livro não se compatibilizar com o filme. A fita de David Fincher é tão viajada quanto a obra de Palahniuk, mas é mais sensorial, filosófica e reflexiva. Isso, sem mencionar a impressionante arquitetura visual construída pelo diretor que torna todo o resto mais complexo e histriônico. Essa eloquência visual, no entanto, não desvirtua a força da imaginação do espectador e o grande trunfo de Clube da luta, o livro, é mantido em sua versão cinematográfica: a construção de um sentido universal a partir da bifurcação entre a visão de mundo do protagonista e a do leitor/espectador.

Na verdade, o livro Clube da luta é bem regular e indicado apenas para adeptos de leituras agressivas e imaginativas. Palahniuk se beneficiou do status cult que o filme recebeu e foi alçado a ícone pop do emergente século XXI.

Livro e filme arrebatam o espectador para dentro do emaranhado emocional do personagem principal. A tinta anti-capitalista é mais fresca no livro do que no filme. Fincher dimensionou melhor o comentário na transição para a tela. O roteiro de Jim Uhls também foi providencial para essa lipoaspiração argumentativa.

O colapso interno do personagem central e seus reflexos sociológicos são aspectos mais bem detalhados na literatura, mas é inegável que o desenho que Fincher dá a eles provoca fascínio e dá um nó na mente. Clube da luta, o filme, te incita a voltar a ele ou, até mesmo, a conhecer o material original. Já ao terminar a leitura do livro, você não pensa: “Putz, como eu queria ver um filme sobre isso.”

No final das contas, o filme adquiriu vida própria e transformou o status quo do material original. Não é pouca coisa.




Compartilhe
Comentários