Salada de Cinema

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Salada de Cinema/Entrevista

Salada de Cinema entrevista Maria Flor

Publicado em 16/08/2012 / Por: victorgouvea

Salada de Cinema Como você vê sua personagem no filme?

Maria Flor Laura é uma menina da classe média carioca, uma jovem comum, com sonhos de aventura, amor e realização profissional. Está se descobrindo, encontrando seu caminho no mundo. Ela não tinha a ambição de construir uma vida fora do Brasil, é ligada às suas raízes. Saiu do país movida pelo namorado [Rui, personagem do ator brasileiro Juliano Cazarré] e pela novidade, por uma vida diferente. Não está deslumbrada por morar em Londres, foi por amor. E, por isso, nunca se entregou ou se apropriou de verdade da cidade. Quando descobre a traição do namorado decide imediatamente voltar para o Brasil, para sua casa, a vida mais simples e confortável no Rio de Janeiro. Ela se decepciona com o homem que ama e, por tabela, com o compromisso de morar na Europa. 

SC Como foi gravar com o Ben Foster, que rolou quase tudo no improviso?

MF O Ben Foster é um ator muito interessante. Ele propôs que gente não ensaiasse antes das filmagens, já que os personagens não se conheciam. Então, cheguei ao set sem nunca ter falado com o ator com quem iria contracenar. Foi exatamente como acontece no roteiro: eles nunca se viram, não sabem nada um do outro. Deu certo. As cenas foram intensas, inventivas, estivemos entregues todo o tempo. Ficamos felizes com o resultado.

SC Conte como foi seu primeiro encontro com Anthony Hopkins.

MF Meu primeiro encontro com o Anthony Hopkins foi no ensaio, proposto pelo Fernando [Meirelles], para a leitura do texto. Quando cheguei, ele veio até mim, me cumprimentou carinhosamente e passamos a cena. Foi impressionante ver a simplicidade e profundidade da atuação dele. Fiquei emocionada com a verdade impressa em seus olhos. Entendi que só precisaria acompanhá-lo para fazer uma bela cena.

Ele nos contou que a personagem tinha muito da sua própria vida e, por isso, interpretaria ele próprio, não construiria personagem algum. Depois falou sobre seu gosto pela música clássica e pela pintura. Ele fez um desenho pra mim e assinou. Foi um encontro bonito.

 SC O que você aprendeu com ele?

MF Quando estava me preparando para o filme, sozinha em casa, vi vários filmes e algumas entrevistas dele. Numa delas, para o Actors Studio, Hopkins disse que os atores devem prezar pela simplicidade. Quando percebi que ele realmente botava isso em prática, entendi que a interpretação para o cinema precisa ser muito delicada, verdadeira, na medida da vida.

SC Você tem intenção de internacionalizar sua carreira? O filme já te rendeu alguma proposta?

MF Acho que apareci para outro mercado e novas possibilidades podem surgir depois de um filme internacional. Eu tive um encontro muito produtivo com uma agente de atores americana. É claro que me interesso por outras experiências fora do Brasil, mas sei que é muito difícil. Não é por que fiz um filme internacional que agora todas as portas vão se abrir. Já estou muito feliz com o 360. E louca para estrear, vamos ver o que vai acontecer.

 SC O que você aprendeu com esse trabalho internacional?

MF Aprendi que um set de filmagem é igual em todo lugar, que a concentração é uma das coisas mais importantes para a fluidez de um trabalho e que não importa muito a língua que se fala, de onde você veio. O importante é fazer o melhor e mais verdadeiro possível e, então, seu trabalho será percebido.

SC Sua personagem aparece fragilizada por uma situação complicada de traição, mas ao mesmo tempo é corajosa para mudar a vida. Como você compôs essa personalidade?

MF A primeira coisa que eu fiz foi colar todos os textos na minha parede. Eu precisava criar um arco para a personagem, algo que ninguém saberia, só eu. A história da Laura é contada a partir de um ponto de desequilíbrio. Ela descobre que o namorado a trai e então decide voltar para o Brasil. São pouco mais de 24 horas na vida dela. Eu precisava estar muito segura de quem ela é. Só então poderia viver aqueles encontros (com as personagens do Anthony e do Ben Foster), onde ela tenta se distanciar de si mesma, não se comportar como sempre, para tentar viver outra experiência. A Laura acreditava no amor, no casamento e na fidelidade. Quando tudo isso se rompe, ela decide se lançar no desconhecido, e cresce com isso.

SC Como foi a direção do Fernando?

MF Trabalhar com o Fernando é uma honra e um prazer. Ele é generoso e aberto a sugestões. O set é calmo e criativo. Fernando sabe o que quer de cada personagem, do papel de cada um para levar a história à frente, e consegue tirar o melhor do ator. Ele se entusiasma com a cena, torce e vibra junto. 




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