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cine sexo: Da arte de erotizar

Publicado em 13/08/2012 / Por: Reinaldo Glioche

 

O exercício do erotismo não é algo tão espontâneo, no cinema, quanto pode parecer. É preciso cálculo, bom texto, atores desinibidos e potencialmente erógenos e um diretor que consiga conciliar tudo isso de maneira que tudo soe o mais natural possível. Não frequentemente as arestas não são aparadas a contento. Há diretores, no entanto, que compensam certas defasagens – como um texto canastrão, um ator feio, uma atriz insegura, etc.

O primeiro nome que vem a mente é Adrian Lyne. O inglês é dono de uma filmografia que dialoga intimamente com o sexo. Desde as coreografias alucinadas e da pista de dança fervente de “Flashdance” (1982), passando por filmes que devassam os paradigmas sobre a infidelidade em “Proposta indecente” (1993), “Atração fatal” (1987) e “Infidelidade” (2002), uma releitura do clássico de Vladimir Nabukov, “Lolita’ (1997) e culminando no principal expoente do cinema erótico de mainstream, “9 e ½ semanas de amor” (1986).

Lyne ficou circunscrito a um subgênero que tem no sexo seu principal elemento de catarse. O diretor não se faz de rogado. As cenas de sexo, especialmente apimentadas e provocantes em “9 e ½ semanas de amor”, sempre temperam o clima abundantemente erótico de seus filmes.

Seus personagens masculinos conciliam sofisticação com rudeza em um bem vindo pluralismo do que repercute junto ao olhar feminino e, também, de projeções inconscientes do homem moderno.

As mulheres, por sua vez, acompanham o tino feminista do transcorrer dos anos. A personagem de Kim Basinger em “9 e ½ semanas de amor” precisava se libertar de amarras sociais e encontrar prazer sexual, ideia que também pode ser ventilada como libertação sexual feminina. Já a esposa infiel de Diane Lane em “Infidelidade” trai por razões que, em uma análise mais contida, apenas homens trairiam, pelo menos em um contexto dramatúrgico. A escalação de Richard Gere como marido traído, logo ele que já havia sido gigolô e príncipe encantado moderno no cinema, só reforça esse viés feminista.

Ainda que Lyne não use o sexo como discurso sociológico, essa análise permite que a experiência erótica se revele mais completa e profunda.

Outros clássicos eróticos do cinema, como “O último tango em Paris” (1972) e “Instinto selvagem” (1992), também se beneficiam dessas ilações.

Nada, porém, supera a construção imagética de Lyne. Personagens identificáveis, conflitos que ressoam do lado de cá das telas e uma câmera curiosa de corpos excitados ainda são elementos centrais para tornar erótica, um experiência cinematográfica.




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Comentários
  • Wendell M. Alves da Costa

    Não suportei assisti O Último Tango em Paris, é de um surto psicótico não atraente.