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Detachment | Crítica

por Raphael Camacho comentários

detachment

Com uma citação de Albert Camus, “Detachment” começa dizendo a que veio: falar sobre um homem e seus conflitos profissionais e pessoais.  Dirigido por Tony Kaye (que foi o diretor do elogiado “A Outra História Americana”), o filme possui um enredo deveras complexo por sua mensagem forte e impactante contada através de um sofrido professor do ensino médio americano. O longa tenta ser poético mas muitas vezes acaba caindo no vale do nada. O ponto a se destacar é a ótima interpretação de Adrien Brody que encontra o nível certo de emoções nas facetas complicadas de seu difícil personagem.

Na trama, um professor substituto chega até uma escola pública em um subúrbio americano e tenta a todo mundo criar uma espécie de conexão com os complicados alunos. Depois do espectador rumar para as agonias do personagem, vemos crescer uma amizade entre o professor e uma prostituta, fato que mudará um pouco o destino dos personagens. “Detachment” , basicamente, foca na vida do personagem Henry Barthes e em outros professores, ensinando problemáticos alunos.

O personagem principal parece viver um inferno astral a muito tempo. Sempre após as aulas (ou quase sempre) vai até o hospital visitar seu avô, por quem tem um carinho gigante. Incrivelmente vive calmo, passando a impressão de estar preparado para tudo isso, assim identificamos a sua presença quando está dentro de sala de aula. Porém, fora dela, vive em um mundo mais triste, se abalando fortemente com todos os pontos negativos que passa. O relacionamento do Sr.Barthes com uma jovem prostituta, mesmo ele não sabendo, é a tentativa de virada na vida desse acadêmico. A relação que se estabelece, a de pai e filha, é o direcionamento que o roteiro tem de se manter com algum propósito.

É um filme que poderia ser passado em muitas faculdades. O dia a dia do professor não é fácil, nem por isso se desiste de tentar ser um. Alunos problemáticos em todos os sentidos possíveis, até mesmo um que maltrata sem piedade um animal no meio de uma quadra de basquete. Mesmo com toda a correnteza contrária, o personagem tenta se identificar, criando um vínculo com a maioria dos alunos.

Os exageros vem com alguns movimentos de câmeras esquisitos, que deixam um pouco sem explicação, agregado à uma trilha que muitas vezes não se encaixa nos momentos, em algumas cenas. Falar da vida acadêmica não é nada original no mundo do cinema, a maneira como essa história é contada quase consegue ser original. Não é bom, nem é ruim, é a famosa fita mais ou menos.

 

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