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cine sexo: Sexo na estrada

Publicado em 23/07/2012 / Por: Reinaldo Glioche

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Está em cartaz nos cinemas brasileiros aquele que podemos chamar de road movie seminal, mesmo que só tenha surgido depois de tantos road movies definitivos. “Na estrada”, dirigido por Walter Salles e adaptado do clássico homônimo da geração beat, recria o ambiente que possibilitou os movimentos que insurgiram nos anos 60 tendo jovens como protagonistas e o sexo como poderoso catalisador de orientações político-culturais.

A fita, obviamente, não poderia deixar escapar de si essa aura. Os três jovens escalados para viver os protagonistas Sal Paradise (Sam Riley), Dean Moriarty (Garrett Hedlund) e Marylou (Kristen Stewart) conjugam hormônios e beleza com rara harmonia. Especialmente Garrett Hedlund, que surge muito mais encorpado, carismático e sexual do que quando fez o primo do Aquiles de Brad Pitt há quase dez anos em “Tróia” (2004). Hedlund explode virilidade na tela e seu charme indomável é essencial para que a jornada do escritor Paradise, e do próprio livro que testemunhamos adaptado na tela de cinema, aconteça.

Kristen Stewart é outra que se beneficia do olhar tropical de Walter Salles. Sensual, arrojada e, ainda assim, contida. Sua Marylou pouco faz lembrar a insossa Bella de “Crepúsculo”.

Ainda que o sexo e sua rotina de descobertas seja um elemento poderoso em “Na estrada”, tudo parece muito pudico no filme de Salles. A despeito do tom acurado de Hedlund e Stewart.

O sexo parece pouco urgente e o diretor se avexa de testar os limites de seus atores em uma história que exige de seus intérpretes que se desvencilhem de toda e qualquer restrição interpretativa.

Melhor fez Alfonso Cuarón, há exatos onze anos, com “E sua mãe também”. O filme mexicano que concorreu ao Oscar de roteiro adaptado mostra dois adolescentes com hormônios em ebulição que resolvem fazer uma viagem rumo a praia de boca del cielo e convidam Luiza, uma espanhola 11 anos mais velha e casada com o primo de um deles para acompanhá-los. A viagem, além de prover amadurecimento, é reveladora da natureza daqueles personagens. Cuarón, sem ser mais gráfico do que Salles, se permite ser mais sedutor nas cenas de sexo que filma. Mais enfático do desejo daqueles personagens e do clima erotizante que os cerca.

Falta esse arrojo a “Na estrada”. É tudo acadêmico demais. Há uma cena em que Marylou, Sal, Dean e Ed Dunkel estão a tagarelar no carro e Marylou simplesmente se põe a fazer sexo oral em Dean. Mesmo sem mostrar, apenas sugerindo, Walter Salles entrega um dos momentos de maior brasa em “Na estrada”.
Provavelmente, o diretor temeu que se abordasse o sexo de maneira distinta, mais incendiária, esvaziasse o sentido do filme. Talvez ocorresse mesmo isso. Hollywood é mesmo devassidão pura. Os peitinhos de Kristen Stewart já causaram verdadeiros furacões…




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