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Salada de Cinema/Crítica

Na Estrada | Crítica 2

Publicado em 16/07/2012 / Por: André Sobreiro

Assistir road movie não é uma experiência simples. Primeiro por que é impossível carregar todas as personagens pela trama, então ficamos sempre com pessoas que passam pela história. Segundo que os bons road movies tem um fio que eles seguem, e é isso que conduz a história e não exatamente um conflito maior.

Nesse sentido, Walter Salles foi bem sucedido na adaptação de On The Road, clássico americano de Jack Kerouak. O filme que mostra a viagem do jovem escritor Sal Paradise ao lado de Dean e Marylou, antes de qualquer coisa, tem suas falhas.

Em primeiro lugar, já no começo do filme, a iluminação nos passa uma atmosfera latina demais. A sensação que uma obra essencialmente americana ganhou ares de que poderia se passar no Peru incomoda um pouco. Mas isso, ao longo do filme se acerta. O segundo incômodo é sobre “os finais” do filme. Mais de uma vez, o filme entra em clima de encerramento. E recomeça. E a falta de um grande clímax contribui para essa sensação.

Mas Walter Salles consegue provar que é maior que isso. Primeiro nas escolhas de cenários, que gera um filme bonito de se assistir, se admirar. As belas imagens captadas provocam aquela sensação de que uma viagem nesse sentido é necessária na vida de todo mundo.

Mas o grande trunfo dele é seu talento para dirigir atores. Primeiro seu incrível elenco coadjuvante que cai no primeiro ponto do texto: muitos deles são tão incríveis que fica a sensação de querer mais. Kirsten Dunst pura melancolia e dor como Camille; Amy Adams e Viggo Mortensen na deliciosa loucura de Jane e Old Bull Lee; Steve Buscemi e o grande momento carnal do filme; Tom Sturridge e seu adorável Carlo Marx e ainda Alice Braga, Terrence Howard, Elizabeth Moss e todo o elenco. Raras vezes uma reunião tão competente de coadjuvantes foi vista.

Mas nada disso seria possível sem o trio protagonista. Sam Riley, mesmo novato, consegue sustentar a carga que seu papel pede. Não tem como não viver pelos olhos e pelo lápis de Sal Paradise. Garrett Hedlund criou um Dean com olhos que diziam tudo da personagem. Uma profundidade que elevou em muitos pontos os créditos e o respeito do ator (sem spoiler, mas, nas cenas finais, olhe com atenção nos olhos dele. As falas quase são indispensáveis).

Mas quem merece a atenção aqui é Kristen Stewart. Ela não é a melhor interpretação do filme. Mas o avanço que ela dá do que está habituada a fazer é assombroso. A sua entrega a um papel fora das mocinhas que está habituada a fazer é impressionante e não são muitas as atrizes que aceitariam um papel com essa visceralidade.

On The Road não é um filme perfeito. Mas a reflexão e o incômodo que o livro proporciona estão ali. Nas telas. Por isso apenas já merece nossa atenção.




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