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Cine sexo: atrizes sexuais e atrizes sexualizadas

Publicado em 02/07/2012 / Por: Reinaldo Glioche

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Existe uma diferença querido leitor. Acredite! Desde que cineastas como Fellini, Bergman, Billy Wilder, Godard e Polanski enquadraram divas como Catherine Deneuve, Brigitte Bardot, Ingrid Bergman, Marilyn Monroe, Rita Hayworth e Elizabeth Taylor, o cinema passou a se beneficiar da sexualidade e sensualidade de suas atrizes. Mas nem tudo é natural nesse reino de tesão em celulóide. Ou digital para os mais modernos.

Com a liberação sexual dos anos 60 e 70, uma nova contingência cinematográfica se estabeleceu. Era preciso ter atrizes cuja sexualidade enunciasse um filme. Atrizes que, por meio de uma sexualidade incandescente, ajudassem a promover não só o cinema, mas o próprio sexo como conceito. Essa fetichização nem sempre é um processo consciente por parte das atrizes.

Angelina Jolie, por exemplo, fez conscientemente o caminho inverso. Durante os anos 90, quando experimentava ascensão na carreira, fez o tipo sexy symbol selvagem. Tattoos, fotos ousadas, declarações ultra-polêmicas e bissexualidade assumida eram a tônica da atriz. Desde meados da década passada, no entanto, a atriz faz esforços para mudar essa imagem. A bela Scarlett Johansson é outra empenhada em desfazer a imagem altamente sexualizada que mantém. As fotos da atriz nua que vazaram em meados de 2011 não tornaram sua tarefa mais fácil. Fato é que Johansson vem encontrando dificuldade em manter-se afastada dessa carga sexual que lhe atribuem. Desde o derrière magnificamente filmado e adornado em rosa na abertura de “Encontros e desencontros” (2004), passando pelo beijo lésbico com Penélope Cruz em “Vicky Cristina Barcelona” (2008) e chegando à fetichista viúva negra de “Os vingadores” (2011). Não se diz que Johansson ou Jolie não sejam figuras sexuais, mas a sexualidade verificada nelas é mais um insumo do que algo organicamente sustentado.

Existem, porém, aquelas atrizes que não servem à lógica “sexualizante” da indústria cinematográfica e, ainda assim, são incrivelmente sexuais na tela. Podemos, para atiçar o imaginário do leitor, citar três exemplos. A franco inglesa Charlotte Gainsbourg, apesar de carregar o gene do pai garanhão, pode ser considerada feia e desprovida de grandes atrativos físicos; no entanto, aliando a carreira de cantora com a de atriz e abusando de uma fotogenia contemporânea, Charlotte explode em sexualidade. Kate Winslet é outra que não se enquadraria no perfil de atrizes que vendem sexo. Ela não é magra como o mundinho fashion determina e sua beleza talvez seja comum demais. Justamente por isso, em filmes como “Pecados íntimos” (2006) e “Fogo sagrado” (1999) sua nudez surja redentora.

Para fechar, outro exemplo nauseante seria o da italiana Monica Bellucci. Um filme com Monica Bellucci sem sexo não é um filme etimologicamente correto. Aos 47 anos, mesmo depois da maternidade, Bellucci despiu-se em “Um verão escaldante”. Monica também vende o sexo no cinema, mas de um jeito tão natural que só ela consegue fazer.




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