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cine nerd: a última saga de Indiana Jones

Publicado em 29/06/2012 / Por: Igor AppolinArio

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Olá Nerds!

Concluindo a saga do arqueólogo mais querido do cinema, vamos falar do mais recente filme de Indiana Jones!

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008) foi finalmente lançado 19 anos após o último filme da franquia: Indiana Jones e a Última Cruzada (1989), mas começou a ser desenvolvido pelos seus principais criadores, Steven Spielberg e George Lucas, desde o final dos anos 90, início dos anos 2000. O interesse pessoal de Spielberg foi despertado quando seu filho lhe perguntou “quando os outros dois filmes do Indy sairiam”.

A primeira dúvida que surgiu no processo de produção deste filme foi a idade de Harrison Ford. Frank Marshall, produtor da franquia, citou uma frase do filme original — “Não são os anos, e sim a milhagem” — para exemplificar que o interessante seria ver Indy em uma nova década, com novos desafios. E que a idade de Indy acrescentaria muito a sua personalidade, humanizando o personagem. Harrison Ford, por outro lado, sempre se manteve em forma durante estes anos, muito por parte em acreditar que outros dois filmes da franquia Indiana Jones seriam feitos, e dedicou-se, a partir da confirmação de seu retorno, a uma dieta a base peixe e vegetais, chegando a um ponto onde poderia facilmente fazer suas próprias cenas de ação. O próprio Spielberg afirmou que estava impressionado com a forma física de Ford, dizendo não ver diferença entre as filmagens do 3º e do 4º filmes.

Embora há tempos George Lucas já empregasse a filmagem em formato digital, Spielberg sempre preferiu a película, e fez este novo filme com seu método tradicional. Lucas aprovou, dizendo que o filme parecia sido feito logo após Última Cruzada, e não quase 20 anos depois, dado o aspecto similar entre as filmagens. Spielberg então definiu esse filme, com tom mais leve e saudosista, como uma “sobremesa” após os gostos amargos apresentados em seu filme anterior, Munique (2005).

Para reavivar o gosto do público, o diretor procurou logo incluir nesta aventura personagens de filmes anteriores. Karen Allen foi chamada para reprisar seu papel como Marion Ravenwood, o eterno amor de Indy desde Caçadores da Arca Perdida (1981). Karen foi pega de surpresa, quando Spielberg ligou para ela em Janeiro de 2007 dizendo: “Foi anunciado! Vamos fazer Indiana Jones 4! E adivinhe? Você está nele de novo!”

A Sean Connery foi oferecida a chance de reprisar o papel de Henry Jones Sr., mas ele recusou pois estava curtindo sua aposentadoria. George Lucas achou por bem, no final, uma vez que os fãs poderiam ficar desapontados com uma aparição rápida do veterano, que não acompanharia a aventura do filme. Além dele, pensou-se me acrescentar Short Round, Sallah e Willie Scott ao roteiro, em uma possível aparição no casamento de Indy e Marion.

Assim, as fotos de Marcus Brody (o já falecido Denholm Eliott) e Henry Jones Sr. (Connery) aparecem na mesa do escritório de Indy, com a foto de Indy e Sallah (John Rhys-Davies) na lareira e outra de Willie (Kate Capshaw) em uma prateleira. A estátua de Brody ainda pode ser vista no pátio da faculdade, onde um carro da KGB bate contra a base dela.

No roteiro original, em 1958 Indiana Jones enfrentaria novamente os nazistas, mesmo após a 2ª Guerra Mundial. Porém Spielberg já havia dirigido A Lista de Schindler (1993) e Harrison Ford acreditava que os vilões já estavam batidos. Assim, George Lucas buscou a inspiração na década de 50 e na Guerra Fria, com contos da busca de Stalin por misteriosas caveiras de cristal, e colocou os militares Soviéticos como os grandes vilões. Para o máximo efeito de realidade, os papeis de soldados russos foram interpretados por atores de origem russa.

Assim surgiu a idéia de sair do mundo místico e cair na ficção científica, típica dos anos 50/60, que permeia Reino da Caveira de Cristal, saindo da ambientação dos filmes seriados da década de 30, para uma interpretação baseada “nos filmes B dos anos 50”.

Shia LeBouf, no papel do filho de Marion, Mutt Williams, ficou muito empolgado em entrar na franquia. Originalmente, o personagem seria um nerd, mas Lucas achou que um caráter rebelde seria melhor, pois o conceito por trás do personagem era ser tudo aqui que Indy achava desprezível, assim como seu pai, Henry Jones Sr., achava seu espírito aventureiro reprovável. A cena da cafeteria onde Indy ri do nome de “Mutt” (uma raça mista de cão), é uma clara referência à Última Cruzada onde Dr. Jones reprova seu filho usar o nome do cachorro da família, Indiana.

John Hurt, um ator muito experiente, quis ler a estória do roteiro antes de aceitar o papel do amalucado Professor Oxley. Mesmo sendo um filme de Spielberg, o “Deus de Hollywood”, ele insistiu em ver o roteiro, que foi então encaminhado por um portador até Londres, entregue às 3 horas da tarde e retirado às 8h da noite, voltando imediatamente para Los Angeles. Ray Winstone, no papel de Mac, teve uma experiência semelhante: um portador acompanhou a leitura do roteiro e o levou imediatamente de volta quando o ator terminou.

Indy tem uma frase de efeito que aparece em todos os filmes: Confie em mim. Porém neste, quem fala a clássica frase é Marion e não Indy. Indy diz a clássica frase de Star Wars “Eu tenho um mal pressentimento sobre isso”, usada em todos os filmes daquela franquia por diversos personagens.

Aliás, as referências de Star Wars não terminam ai. C-3PO e R2-D2 aparecem em diversas pinturas/esculturas no fundo das cenas de toda a franquia. Neste, eles estão na sala do trono principal em um azulejo amarelo (com o E.T., do filme de Spielberg, em outro azulejo). Referências aos filmes anteriores podem ser encontrados também, como as pedras de Sankara, de Indiana Jones e o Templo da Perdição (1985), podem ser vistas em um desenho de quadro negro (e com nomes de personagens ao lado). Na cena inicial, no Hangar 51, além da Arca da Aliança, com seu tema tocado ao fundo, o cajado de Moisés de Os Dez Mandamentos (1956) também faz uma breve aparição.

Como curiosidade final, ficamos com as duas tradições da franquia: os animais temíveis da vez são as formigas gigantes amazônicas, que, segundo George Lucas, foram reaproveitadas de um script original de Última Cruzada. E a morte, geralmente nojenta e gráficamente impressionante, do vilão principal, causada por sua própria ganância e gana de poder.

Até semana que vem com mais Cinema Nerd!




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