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cine nerd: Indiana Jones e o Templo da Perdição

Publicado em 25/05/2012 / Por: Igor AppolinArio

indiana-jones

Olá Nerds!

Semana passada falamos do primeiro grande filme da saga de Indiana Jones, Caçadores da Arca Perdida (1981) e hoje vamos continuar esse mundo de aventura.

Após o sucesso de Caçadores, a equipe criativa do filme original prontamente começou a trabalhar na ‘continuação’ das estórias de Indiana Jones. Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984) é a primeira sequência dirigida por Steven Spielberg em sua carreira, mas tecnicamente não é uma continuação e sim um ‘prequel’, já que se passa um ano antes de Caçadores, em 1935.

No filme, vemos um Indy ambicioso e que não se preocupa com ninguém além de si mesmo, bem diferente do filme anterior. A cena de abertura com o show de dança e a luta dentro do bar mostra que Indy é duro na queda, mas também capaz de vender seus achados históricos por um bom preço.

Spielberg queria Karen Allen para reprisar seu papel como Marion, mas desde a concepção do personagem Indiana Jones, cada aventura deveria ter um interesse romântico diferente para Indy. Assim, Kate Capshaw entrou no elenco como a cantora Willie, e viria mais tarde a se casar com Spielberg. Jonathan Ke Quan foi escolhido em uma seleção pública para o papel de Short Round, porém o menino nem participou. Ele estava acompanhando o irmão, mas chamou atenção do diretor ao comandar o irmão em cena, dizendo o que era melhor ou não fazer, assim ganhando o papel.

O cuidado com a recriação de objetos de época durante a produção foi tanto, que o vestido que Kate Capshaw usa no musical de abertura foi todo feito com contas coloridas originais dos anos 20 e 30, sendo que essa cena foi a última gravada para o filme. Porém antes disso um acidente em outra cena, nas locações em Sri Lanka, foi bem “inusitado”: um elefante pode ser visto comendo o vestido, salvo por pouco pela produção, e como se tratava de material original, gerou um formulário de seguro, com uma explicação bem difícil de acreditar.

Quem já viu a película sabe que a estória toda de passa na Índia, mas no último momento tiveram que ser gravadas as cenas in loco fora do país, pois as autoridades locais não concordaram com as opiniões expressas no roteiro, principalmente com o uso indiscriminado do termo Marajá, proibindo a filmagem em seus palácios e templos. Assim  os produtores partiram para o país vizinho, Sri Lanka, e usaram a locação como se fosse a Índia, apesar da lingua diferente usada pelos extras locais. Uma proibição semelhante, desta vez na China, impediu que uma cena de perseguição de moto na muralha da China fosse realizada, sendo substituída pela perseguição na cena do avião (Curiosamente, existe uma cena assim no filme Lara Croft: Tomb Raider – A Origem da Vida, de 2003).

O plot principal do filme se desenrola quando Indy cai em meio a uma vila devastada, após o roubo de pedras sagradas que garantem a fertilidade local. Então, o Dr. Jones se vê incumbido de resgatar as pedras e salvar jovens do vilarejo que são sequestrados para escravidão e sacrifício à Shiva, a deusa do culto vilão. O vilão principal do filme, Mola Ram (Amrish Puri), aliás só aparece após uma hora. Puri criou uma impressão tão grande com seu visual, incluindo a cabeça raspada, que ele o manteve durante anos, sendo um vilão muito popular no cinema indiano.

Já D.R. Nanayakkara, o velho xamã que manda Indy em sua missão atrás das pedras sagradas, por outro lado, não falava uma palavra em inglês. Suas falas foram ditadas pelo diretor Steven Spielberg e na versão original do audio pode-se perceber a pronúncia estranha e as pausas na fala do ancião, que dão dramaticidade à cena, mas são resultado desse método.

Como em todo filme da saga de Indiana Jones, medo de animais ou animais em cenas aflitivas são grandes momentos da película. Em Templo da Perdição somos confrontados por ‘morcegos vampiros gigantes’, na verdade frutívoros, já que morcegos-vampiros verdadeiros são pequenos. Willie é confrontada por seu medo de insetos em uma cena magnífica, que foi preciso mais de 2000 insetos variados para realizar. Esteriotipando o gosto culinário da Índia, temos uma cena envolvendo animais também que é pra lá de nojenta: jantar com cérebro de macaco e sopa de olhos. Claro que tudo cenográfico, sendo que os cérebros eram feitos de creme de ovos e framboesa e os olhos artificiais foram engenhosamente colados ao fundo da panela de sopa, criando o ótimo efeito surpresa visto no filme.

E uma curiosidade final: a grande cena de perseguição na mina foi uma das mais elaboradas do filme, sendo que quase tudo foi filmado em uma miniatura e com modelos, as paredes da caverna feitas de papel alumínio pintado e os trilhos construídos em um loop, sendo que para aparentar salas diferentes apenas a iluminação era modificada. Os sons produzidos pelos carrinhos dentro da mina foram na realidade gravados diretamente das montanhas-russas da Disneylândia, com as músicas e efeitos do parque desligados.

Até semana que vem com mais Cinema Nerd!




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